segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Gente de Arbolícia 2: O ancião que viu o mar por primeira vez

Escrito por Maria Cedrón e publicado n'a Voz de Galicia o 23 de Julho de 2006.


«Ai Dios... nunca vim tanta extensión. E claro, tras do horizonte tamém haverá pueblos». Dositeo fizo-se essa pregunta despois de ver onte por primeira vez o mar em Valdovinho. Soubo que navegando en direçom a aquela linha distante que albiscavam os seus olhos estava a Grã-Bretanha e que, se em lugar de olhar para o norte tivesse botado a vista ao oeste, estaria América do norte. Entom, com curiosidade de descobridor, fizo-se outra pregunta: «E Buenos Aires aínda quedará moito máis longe, ¿ou?».


A sua pregunta nom era casual. Dositeo, da casa de Ramos, naceu em Touzom, na parróquia de Penamaior (Becerreá), e queria saber onde está a Argentina. Vários dos seus irmãos recorrérom mais de 10.000 quilômetros e assentárom-se ao outro lado do Atlântico. Dositeo, com 87 anos, fizo onte a viagem mais longa da sua vida. Foram pouco mais de 168 quilômetros. «Hoje (por onte) vim ou que nunca vim -di durante o retorno-. Som moitas cousas num dia. Todo grácias ás rodas. Porque se temos que fazer todo este caminho a pé...».


Durante os últimos 70 anos, Dositeo nunca saiu da província de Lugo. Foi várias vezes à cidade das muralhas em táxi «para ir aos médicos». Antes, quando começou a guerra, em 36, passou uns dias na Corunha para tratar umha úlcera que ainda tem num pé. Só tinha visto a ria.


Por isso, onte colheu o seu bastom e um chapéu para o sol disposto a ver, por fim, as ondas. Com curiosidade de neno descreveu a existência de duas Galizas. «Aqui saes dumha poblaciom e metes-te noutra -comentou chegando já ao litoral-. Esta deve ser boa terra. Ve-se moita gente e moita produçiom. Aqui hai moita riqueza e ali pobreza». E justo ao passar sobre a ponte da ria de Ferrol, olhou ao longe: «Esso que se vê alí parece néboa, pero é o mar, de verdá?».


Pola estrada, descendo para a praia seguiu analisando a paisage. «¿E aqui nom nevará?, ¿Tampouco xeará? Hai moito milho, deve haver moito javali porque lhes gusta moito». Sorprendeu-lhe, no meio de tanto plano, ver um monte ao longe, um alto sem repetidor.


Chegou o grande momento. Com bastom e um pé vendado, Dositeo pisou a area pola primeira vez. «Nom se anda moi ben, pero hai que andar. Na vida hai que andar». Mais el, de súpeto ficou parado, pensando. Despois sorriu. «¡Que lindo está o mar. Como trabalha -dixo referindo-se às ondas- Mira, e fai ruído, he, he... E como farám esses rapazes (surfeiros) para que nom os envolva a auga co seu arte?».


Contemplou todo o que havia ao seu redor: «E hai gente durmindo. E nom tenhem medo a que lhes venha a auga». E entom chegou umha onda. Dositeo levou um susto, mais riu. «Estes estám descansando, mais cum olho para trás». Despois dum tempo, Dositeo olhou ao céu. «Cheira a tormenta. Vai chover, haverá que marchar».

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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Paisages 7: Nos confins da Europa

O planeta Arbolícia está situado ao começo -ou ao final, segundo se mire- da sistema conhecido como Europa. E devido a esta posiçom extrema é possível admirar nas terras arborícolas fenómenos tamém extremos, como som os que nos ocupam hoje: os acantilados mais altos da Europa. Situam-se no borde planetário noroccidental, ali onde a serra da Capelada se afunde direitamente no océano. Som as terras de Ortegal, golpeadas mais que banhadas polas forças conjuntas de dous mares. Terras de vento e cabalos.


Em chegando, os rios adoptam formas curiosas ao desembocar...

Nom tardamos em atopar os bosques primigénios, onde todo é luz e fieitos

Montes que se ofrecem abertos ao mar...

A alguns os invitam a descansar, a outros, a caminhar

Mais fraga, mais verde

e por fim, os acantilados!

Escarpados? Provem a subir em bicicleta por essas abas...

A costa

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Summercase : Madrid : 13 : 14 : Julho : 2007


Já estava tardando um festival como é devido: onde haxa grupos que che gustem de verdade, e nom 2 ou 3 mais um montom que nem fu nem fa. Si, estava tardando já a ocasiom de ver em direito, por vez primeira, a PJ Harvey, Bloc Party, Flaming Lips, Jesus & Mary Chain, DJ Shadow ou LCD Soundsystem, entre outros; e confirmar o veredito emitido sobre Arcade Fire ou !!!

Si, estes últimos anos foramos ao Festimad (por 2 vezes: 1 moi bem, e outra moi mal... lembrai, foi o ano dos distúrbios), a Paredes de Coura (cartelazo: Nick Cave ou uns daquela semi-desconhecidos Arcade Fire, entre outros moitos), e à Cultura Quente, ao festival do Norte ou aos Festitoms (ai! Das waren noch Zeiten!), entre outros. Mais o de este ano era, a priori, o que melhor pintava. E hai que dizer que nom defraudou.
Devemos ser a tribo mais musical do mundo, porque aquela fim de semana começárom a aparecer galegos a dúzias, alguns já contavamos com eles, outros nom, outros os atopamos de puta casualidade (Josetxo & Ñas...). O caso é que ninguém se queria perder a festa: houvo quem foi em aviom (estes do CTAG, que nom tenhem tempo livre), quem saiu dias antes (os estudantes, que tenhem tempo livre de mais), e quem fomos o mesmo dia -como tem que ser, sem excesos ;-)

O tema é que Mari e mais eu chegamos a Madrid o venres 13 de julho pola tarde, e tras algumha confussiom sobre se teriamos pousada em Casa Táboas ou em Casa Jessica, finalmente se acordou que a Casa Jessica estava bem para durmir, mentres que a Casa Táboas, polo seu ar acondicionado e o seu amplo salom, estaria bem para passar as tardes. Tardes que se alongavam mais da conta porque mover 10 ou 20 persoas nom é tarefa doada: sempre hai alguém que fai algo e nom nos podemos ir. E com essas foi como, tanto o venres como o sábado, chegamos tarde para ver os primeiros grupos que nos interessavam. No primeiro caso, os clássicos James, aos que apenas lhes vimos o pelo desde longe mentres tocavam algum velho éxito; no segundo, os Editors, cujos discos tinha eu já bem escoitados e devecia por oi-los (a falta de Interpol...). Em fim, era visto que havia poucas possibilidades, já nom me fazia demasiadas ilusões.
O caminho a Boadilla del Monte (entranhável exemplo de urbanizaçom para a classe meia espanhola das que abundam em Madrid) nom é nem longo nem curto, e se vas em bus (gratuito) como fizemos o venres, pois nom está mal: deixam-te à porta do festival e nengum problema. Umah vez ali, passas o control da entrada e, inevitável quando vai tanta gente, começas a buscar puntos de encontro. No nosso caso, foi singelo, um amor a primeira vista: em quanto vimos o punto de encontro nº 6 soubemos que era o nosso: no meio dos escenários, a carom dumha barra e perto da zona chill-out (todo isto nom é que o notáramos à primeira). Estavamos destinados a passar ali moitas horas.

A primeira tarefa nom parecia doada: havia que quedar com Llorenç! E quem é Llorenç? Pois um companheiro do Moi nas suas andanzas erasmusianas por Clausthal, a quem o nosso amigo ourensão deixou um pelim colgado (nom polo seu gusto, desde logo) ao rajar-se de ir ao Summercase. Pero aqui estavamos nós para evitar que o Llorenç passara o festival só! E abofé que saímos bem parados, já que o colega castellonense, ademais de ter um excelente humor e um estado de ánimo envejável para um festival, é um experto cultivador e um diestro liador, ademais de ter o excelente costume de compartir, polo que estivo todo o festival suministrando-nos caldeiros de maconha que nos davam moita vidilha.

Umha vez contactados com Llorenç, puidemos ir ao primeiro concerto da noite e foi DJ Shadow. Si, um pouco cedo para el (e para nós), e notou-se. Nom emocionou, pero polo menos quedamos contentos de saber que asistiramos a um evento único, já que Mr. Shadow dixo que era o último show deste tipo que fazia (a ver se é certo).

Passando de Jarvis Cocker, achegamo-nos a ver aos Jesus & Mary Chain, um grupo desses que pola sua categoria mítica é umha cita inexcusável. E, senhores, puidemos presenciar um autêntico concertazo! Para uns filhos tardios do noise coma nós, aquilo foi o revival impossível que por pouco nom vivemos. Aínda que algo limpos para o meu gusto (eu queria mais distorsiom e mais ruído!), soárom de puta madre e nom hai nada que reprochar-lhes. Um hit tras outro e a atitude adecuada.

Despois de tal exhibiçom já ia tocando algo de relax, assi que buscamos os sospeitosos habituais (Edu sempre se apunta ao chill out em determinados momentos) e nos fumos deitar na fresca erva que havia baixo a carpa de relax. Hai que dizer que a organizaçom (que já em geral estivo moi bem) apuntou-se ai um puntazo: havia mesmo sofás! Que vício... e singularmente ajeitado para oir a Air... assi com calma.

E boa falta nos fizo o descanso, porque tocava esmagar-se na carpa para ver a !!! e, entre a farmacopea, a animaciom e que som uns putos desgraciaos... houvemos morrer, pero de gusto. Aaargh!!! Estes tios som o mais parecido ao espírito eterno do rockandroll que te poidas atopar (e ninguém o diria, fazendo parte da selecta escena musical dance-rock neoiorquina). Já os viramos (pouco) em Paredes de Coura pero aqui rompérom a baralha, desde o segundo zero. O cantante -que showman, joder, em sério James Brown está morto?- que sae ouveando em gayumbos e daí em adiante o show que nom para. Que animais, que bestas escénicas, que forma de atualizar o funk e o primigénio espírito do r'n'r (que era bailar, nom o esquezades!)

Já nos perderamos a Kaiser Chiefs (sem pena nengumha) ou The Gossip, e ao fondo soavam Chemical Brothers. Pero a estes já os viramos em Compostela, assi que era bom momento pra retirar-se (nom quedava moito mais) e fazer cola (1 horinha... total, nada) para colher um bus que nos deixara em Madrid.

Outros com menos escrúpulos colarom-se... mais isso é outra história.

2º DIA

Se o venres me amolou um pouquinho perder-me a James, o sábado fodeu-me moito nom poder ver os Editors. E isso que desta vez vinhemos em coche, porque Maricarmen, que nom bebera nada a noite anterior, sentia-se com forças para repetir a jogada.

Entom, a única opçom sensata era ir colher sítio para PJ Harvey. A diva do rock alternativo actuava numha carpa às 10 da noite e a expectaçom era máxima. Um quarto de hora antes do começo já estavamos estratégicamente colocados, e suando.


Pensando em PJ...

Coa calor que fazia nom sei como ia tam tapada, nesse vestido branco tam comentado. Porque com PJ foi o momento marujo do festival, curiosamente fazendo coincidir aos tios, aos que causa moito morbo (que algo influirá o de que agora se ponha guapa, nom como fai 15 anos) e as tias, entre as que predominou a admiraçom. Isso si, admitindo todos que é mais bem feúcha... pero aqui faltava sem dúvida Nacho (perdido no médio de Portugal), o seu fam nº 1 neste aspecto.
O concerto sorprendeu-me por ser em solitário, às vezes à guitarra e às vezes ao piano, o qual nom se escoitava um caralho. Ela preguntava se se oia e provava a tocar canções mais tranquis ou mais canheiras pero a cousa nom dava para moito. De todos os jeitos nom defraudou e saimos de ali contentos...
... e inevitavelmente a um momento de massificaçom e estreiteces como o vivido na carpa tinha que seguir um de relax e reponher forças, que a noite é longa, e polo tanto de tomar umhas birras no punto 6. The Flaming Lips sairom perxudicados disso, porque apenas nos achegamos ao escenário durante o seu concerto. Ou do pouco que vimos, porque fomos colher sítio para ver a Arcade Fire. Média hora antes e já estava ateigado de gente, colhimos sítio moi diante (10ª fila, centrados... o melhor de todo o festival). A espera valeu a pena: a primeira nota do concerto foi umha liberaçom, um subidom instantáneo, que se prolongou por todo o concerto. Dos melhores do festival, sem dúvida, aínda que sem superar a sorpresa que deram em Paredes de Coura -era difícil.
Despois disto si que tocava inexcusavelmente parar pra descansar. Os damnificados desta vez, Bloc Party, aos que de todos jeitos oiamos -e viamos, ao longe- desde o punto 6. Tinha pinta de ser bom concerto, mais nom era o momento. Achegamo-nos um pouquinho apenas, pero enseguida voltamos à carpa pra ver a LCD Soundsystem. Sábia decissom. Para mim, um dos momentos álgidos do festival. Pugemo-nos pouco detrás da mesa de som, com moito espaço pra fazer o índio (bailar, dim-lhe) e desfrutamos encantados da primeira parte do concerto. Seica a segunda estivo aínda melhor, pero no-la perdimos por ir rondar ao escenário dos Scissor Sisters. Desparrame petardo para pechar o Summercase, estivérom bem pero sem chegar aos niveis de festa que propiciaram antes !!! ou LCD Sounsystem.
E assi rematou este Summercase 2007, o primeiro que agardo nom seja o derradeiro. Sem dúvida, o festival do (que vai de) ano em Arbolícia, agardemos poder recuncar o ano que vem. Sempre e quando a sempre postergada cita de Benicàssim nom me faga cambiar de opiniom...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Paisages 6: Nos confins da Ribeira Sacra


O mes de maio nas terras do Savinhao e Paradela, perto de onde o Minho começa o seu percorrido máis vistoso.


Impresionante a cor do outeiro cuberto de uces, ao fondo...



... e nom menos impresionante a cor verde primaveral

(Alguém com mais perícia coa cámara teria captado melhor o jogo de luzes do lusco-fusco)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Bnegão: espírito HEMPA!!

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Trrremendo concertazo o que puidemos presenciar a passada terça-feira (19 de junho)! Dentro da série de actuações programadas com motivo do 2º aniversário da Fábrica de Chocolate, preparárom-nos um evento no que houvo um pouco de todo.

Já ao chegar notamos que a parte da sala máis próxima ao escenário estava delimitada por umha linha de velas acesas postas no chão -velas que por certo pisoteei en quanto entrei, de jeito involuntário por suposto, vaia miope estou feito-. Polo visto o da performance anunciada nom ia de conha. E assi foi: para começar, espectáculo de dança e malabarismo a cargo de João, um hábil bailarim que se contorsionou a gusto ao ritmo marcado por Shiva (escreve-se assi?), que polo visto é um grupo de persoas que tocam os bongos -si, como os que pululam por qualquer festival, pero sem cães-. Despois de rematar a dança seguirom-lhe dando à percusiom um pedazo máis, pero tivérom o bom critério de parar quando começava a fazer-se cansino.

Esquecia-se-me: antes disto estivemos escoitando -com tempo, já que o retraso foi o habitual, é dizer, ao límite do tolerável-, os ritmos reggae seleccionados com gusto por um DJ que desconhecia, pero que recomendaria para animar qualquer festa na que se pinche música jamaicana.

Bem, como quecemento nom estivo mal, mais enseguida chegou o bom: saírom os de A.PER.TA. (associaçom de percusionistas e tamborileiros, de Vigo), armados de tambores, caldeiros e todo o que puidesse montar ruído, e vaia se o montárom! Em 3 segundos aquilo transformou-se no sambódromo, ou quase. Entre o ritmo que batia forte saírom Bnegão e P. Selectah a começar o seu show. E de súpeto aquilo parecia um concerto de Planet Hemp: o ritmo tribal mesturado coa voz funky-brasileira do Bnegão, e acompanhado pola trompeta de P. Selectah, levava-nos aos tempos no que o combo brasileiro reinventou a fussiom. Porque, hai que admiti-lo já, nem Black Alien nem Marcelo D2 seguírom a via -fecunda e avançada- aberta polos Planet. Bnegão, pola contra, si. E nom se molesta em oculta-lo, ao contrário, el si toca algumha que outra versiom daquela época (cousa que nom deixarei de agradecer-lhe, nom como ao soso de Black Alien, que me deixou coas ganas).

O concerto foi a confirmaçom de que, em efecto, Bnegão é "funk até o caroço". Mais que dizer do seu acompanhante, o P. Selectah, que o mesmo tocava a trompeta que lhe fazia os coros, ou se turnava à guitarra com o seu companheiro. Mágoa que só estiveram eles 2 e nom o resto da banda, o que obrigou a que a maior parte da música fosse pregravada. Sem embargo isso nom estropeou o show, no que se repassou o disco "Enxugando Gelo" -já algo antigo, do ano 2003: para quando novidades?- e se fizo algumha incursiom noutros terreos. Ao final, momento culminante com o arrebato hardcore da Dança do Patinho, e todos contentos prá casinha.
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P.S. Esquecim a cámara... nom tenho fotos que ponher, assi que teredes que crer que estivem ali... o único que podo aportar como prova é o autocolante amarelo que vedes aqui à direita, e que regalavam no concerto... assi como as testemunhas de José António & Iago (máis conhecidos no mundo empresarial como "Doble Cero"), e o irmão deste último, que estivérom comigo compartindo cervejas e maconha.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Paisages 5 (estamos de volta!): Eume

Despois de 3 semanas sem novidades, por fim volvo postear algo em Arbolícia. Tenho que dizer, no meu descargo, que se tardei tanto foi porque o trabalho, os estudos e demais engorros da vida moderna impedírom durante este tempo que atingisse os meus níveis habituais de ociosidade. Que se lhe vai fazer! Tampouco é que agora tenha moitas novidades, mais, para ir fazendo boca, eis outras images da Arbolícia máis arvorícola, à que se accede desde as fragas do Eume (o nosso "inferno do norte" particular, moito máis que a Paris-Roubaix... mais isso é outra história). Por certo, segundo dim os lugarenhos, desde fai pouco hai a possibilidade de percorrer o encoro do Eume em kayak... haverá que prová-lo!







sábado, 19 de maio de 2007

Paisages 4: O Courel em primavera

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Arco da Velha de caminho a Seceda

Curiosos acivros numha aba vindo dende Lóuzara

Entrada à Devesa da Rogueira

A Nova Geografia Galega (III): A Marinha - Návia (1)

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Esta regiom, de forte personalidade, corresponde-se coa costa norde do nosso país, dende a punta de Estaca de Bares à desembocadura do rio Návia. Limita polo oeste co Ortegal, comarca situada no límite do mar Cantábrico, mais orientada já cara a costa noroeste e cara a área do Alto Eume; polo sur coa Terra Chá e coa Terra de Burom (A Fonsagrada), das que a separa o reborde montanhoso das serras da Faladoira, Carba, Xistral, Meira...; e polo leste com Asturies, coa que nom hai umha divisória clara pola costa, mais si polo interior (serra do Ranhadoiro, porto do Palo).

Apesar da grande homogeneidade e coesiom da regiom marinhá, pode ser dividida de jeito natural em diferentes áreas. Na atualidade adoita-se diferenciar entre: Marinha Occidental, em torno a Viveiro; Marinha Central, cujo referente na costa é Foz (ou Burela, que está situada no límite entre a parte Central e a Occidental) e no interior Mondonhedo; e Marinha Oriental, em torno a Ribadeo. As terras entre o Eo e o Návia, administrativamente asturianas, soem denominar-se como Eo-Návia. Além desta divisiom, pode-se distinguir tamém entre a zona costeira e a do interior, as quais podem, à sua vez, ser particularizadas nas bisbarras que enumeramos a continuaciom.

Pola costa, e de oeste a leste, atopamos en primeiro lugar as rias do Barqueiro e de Viveiro. A vila de Viveiro é centro dumha Terra que vai dende o cabo de Estaca de Bares, ao norde, até a serra do Xistral ao sur, nas terras altas de Ourol e Muras. Aqui a costa presenta um perfil irregular e inzado de contrastes morfológicos. Seguindo cara o leste, a partir de Burela, a fisonomia da costa muda radicalmente, aparecendo a rasa costeira cantábrica, ampla plataforma de erosiom, singularmente aplanada, que continua até moito máis alá das nossas fronteiras. Atopamo-nos entom cos tramos central e oriental da regiom marinhá, sem nengum accidente geográfico que faga de divisória entre eles. A continuaciom da profunda ria de Ribadeo ou do Eo (sem querer entrar aqui na recente e absurda polémica sobre o seu nome), e após dum tramo de transiciom pola costa de Tápia e El Franco, aparece a desembocadura do rio Návia e a vila do seu mesmo nome, estremo nororiental da Galiza.
Se remontamos un pouco o rio Návia e colhemos agora a direcciom oeste, percorreremos a regiom en sentido contrário, atopando-nos as bisbarras da marinha “nom costeira”, é dizer, os vales e serras que conformam o hinterland marinhão. Assi, temos en primeiro lugar o que poderiamos denominar Alto Návia, espaço correspondente em realidade co curso meio desse rio, artelhado en torno a Grandas de Salime; e que tem a sua continuaciom natural nas terras montanhosas do sur, como A Fonsagrada e as correspondentes ao nascemento do Návia, na vertente norde dos Ancares: Íbias, Návia de Suarna, que incluímos já na regiom das montanhas orientais de Galiza. A continuaciom, bordeada pola serra da Bóvia, a pintoresca comarca d’os Oscos; e, passando por Taramundi, a histórica Terra de Miranda –nom confundir coa série da TVG ;-) . Seguindo cara ao oeste, atopamo-nos sucessivamente as depressiões de Lourenzá, Mondonhedo e O Valadouro, para chegar outra volta à Terra de Viveiro na sua parte alta.

Históricamente esta regiom correspondeu-se, nos tempos dos romanos, coa parte norde do convento lucense da Gallaecia (cujo límite oriental era precissamente o rio Návia). Posteriormente, a raíz da chegada de emigrantes procedentes das Ilhas Británicas no s. V e VI (empuxados pola invasiom anglo-saxona das suas terras de orige, no mesmo éxodo que deu lugar à Bretanha francesa), converte-se no território que poéticamente se tem denominado “A Galiza de Mailoc”, bispo de Bretonha.
Durante a Alta Idade Meia, tempo em que os poderes políticos e eclesiásticos nom estavam diferenciados, correspondeu-se, grosso modo, co bispado de Mondonhedo. No século XII produziu-se um ajuste das terras tributárias aos bispos, passando a terra comprendida entre o Eo e o Návia a depender do bispo de Ovieu, no lugar do de Mondonhedo como vinhera acontecendo até esse intre. Alguns dim que dito acordo foi a solución a un asunto de mulheres, como se os bispos tivessem essas debilidades ;-) ... Em qualquer caso, a partir de entom as terras do Eo-Návia ficárom já baixo dependência de Oviedo, tanto a nivel eclesiástico como político-administrativo, especialmente a partir da divisiom do s. XVI, baixo o reinado de Filipe II, que consolidou o Eo como fronteira entre Reynos. Nesse intre, e durante toda a Idade Moderna, esta regiom constitue-se na província de Mondonhedo; até o século XIX, em que coa nova divisiom esta província é suprimida e o território é englobado na de Lugo.



Antiga província de Mondonhedo

Como vemos, é umha regiom claramente individualizada pola geografia e pola história, tendo sempre por capital Mondonhedo. Hoje esta vila viu-se desprazada na sua influência polas de Ribadeo, Burela e Viveiro, principalmente, sendo outras localidades de importância as de Foz, Tápia de Casariego, Návia, A Pontenova, etc.

A seguir presenta-se umha proposta de ordenaciom territorial desta regiom. Existem, como quase sempre, várias compartimentaciões possíveis, e neste caso é tarefa especialmente complexa eligir a máis ajeitada. Exporemos primeiro os diferentes critérios que nos podem guiar, e a continuaciom a configuraciom escolhida.

Dende um punto de vista geográfico, poderiamos distinguir, como já expuxemos, entre costa e interior, mais neste caso as terras do interior estám claramente orientadas ao mar e tenhem umha forte ligaçom co espaço costeiro. Isto acontece tanto dende um punto de vista puramente “geográfico” –vales abertos à costa- como demográfico ou económico. Polo tanto, pensamos que a diferenciaciom costa/interior nom deveria reflectir-se na divisiom administrativa, senom que os concelhos deveriam abranguer tanto a franxa costeira como a sua continuaciom natural em forma de vales e serras. Dito isto, poderia-se contemplar como excepciom a esta regla a comarca naviega, a qual presenta umha maior extensiom em sentido Norde-Sur (e polo tanto maior distância da costa às terras máis interiores), e na qual –e nom só por isso- proponhemos criar dous concelhos diferentes (Alto e Baixo Návia). Outra possível excepciom seria a equivalente ao caso naviego, pero neste caso no Eo. Aqui hai umha diferenciaciom clara entre o espaço da Ria do Eo, cumha forte ligaçom entre o triángulo Ribadeo-A Veiga-Castropol, e o do seguinte tramo do rio, columna vertebral da chamada Terra de Miranda, bisbarra histórica que na atualidade se corresponde co espaço económico cujo centro é a Pontenova. Poderia-se pois criar um concelho de Ribadeo e outro de Miranda; sem embargo, e com moitas dúvidas, avogamos por integrar estes dous espaços num só concelho, como se explicará máis adiante.
Outro factor geográfico que actua como divisiom natural é o límite, já citado, da rasa costeira, formaciom geomorfológica singular que carcteriza grande parte da regiom. O câmbio desta forma de paisage a outra é bastante abrupto e localiza-se em Burela. Neste punto divide-se de jeito natural a Marinha Occidental do resto, divisiom que coincide com outra baseada em critérios económicos: a que distingue entre o espaço industrial/portuário de grande dinamismo que fica ao oeste (que inclue os portos de Burela, Sam Cibrão ou o Celeiro, máis as vilas de Viveiro e Burela, e o complexo industrial de Alúmina-Alcoa entre Cervo e Jove); e a zona ao leste de Burela, máis turística e menos industrializada.
Em conseqüência, e por nom extender-nos máis, proponhemos a criaciom dos 5 concelhos representados no seguinte mapa: Terra de Viveiro / Marinha Occidental, Marinha Central, Terra de Ribadeo / Marinha Oriental, Baixo Návia, e Oscos - Alto Návia. Na seguinte entrega descriviremos cada um máis polo miúdo.


segunda-feira, 7 de maio de 2007

Nº 1 em Arbolícia: o nosso Primavera sound particular...

A abundância de oferta musical neste arrabaldo surenho, combinada coa nossa disponibilidade de tempo, fixo que durante 3 dias (do 26 ao 28 de abril) puidéramos asistir a umha espécie de festival urbano à carta, no que desfrutamos dos mais variados estilos musicais. A seguir vai umha breve resenha do ouvido estes dias: Mr. Dixie Jazz Band (nº 1 nas listas de jazz de Arbolícia), Why Go (nº 1 nas de rock), Healthcontrol (nom chegárom ao nº 1, só pode haver um e esse posto foi para os anteriores, pode que noutra ocasiom...), Dios Ke Te Crew (nº 1 nas listas de hip hop); e de propina, umha semana máis tarde, os Jaylanders (nº 1 nas listas de folk de Arbolícia). Recomendados!

Quarta-feira, 26 de abril de 2007

Acudimos à Casa de Arriba para abrirmos boca cuns velhos conhecidos, a MR. DIXIE JAZZ BAND. Este combo afincado na Crunha –e máis concretamente na adega Jazz Vides- nom só é o melhor conjunto de jazz tradicional que hai em Galiza, senom tamém... o único. O abano musical que percorrem nom é, ehem, demasiado amplo: vai da New Orleans dos anos ’20 ao Chicago dos ’40. Pero é máis que de sobra para fazer-nos desfrutar com saltarins ritmos de dixieland (si, o nome da banda nom minte), tam ajeitados para umha voda como para um funeral. Sendo o concerto gratuito, era quase obrigado comprar-lhes um CD. Decidin-me por “Just in Jazz Vides”, gravado ao vivo na mencionada taberna –que por certo recomendo a qualquera que passe por Corunha: boas raciões e boa música ao vivo no mesmo local? si, amigos, é possível-. Bom som e repertório repleto de clásicos num disco que é umha perfecta introduciom à sua música.

Venres, 27 de abril de 2007

Cambiamos radicalmente de música e nom tam radicalmente de escenário: a escassos metros da Casa de Arriba, no veterano Iguana Club, havia raciom dobre de rock (nom grátis coma onte, mais apenas por 5 €). Abrírom os locais WHY GO, um dos segredos melhor gardados do underground de por aqui. Já íamos avisados do sorprendente da sua proposta, pois tivéramos a oportunidade de escoitar a sua maketa (4 temas). E que fam? Bem, é difícil de descrivir com poucas palavras. Quizais a influência mais reconhecível seja Mike Patton, pero entom soa umha canciom e parece que Jeff Buckley siga vivo, e despois outra e me lembram a The Mars Volta, e... carai, vejo os nomes que ponho e dou-me de conta de que estou sendo tremendamente injusto com Why Go: nom é que os grupos citados sejam malos -todo o contrário-, pero o resultado de todo isto é realmente original, nom apenas um sumatório. E nom só isso, senom algo moito mais importante, polo menos para este humilde friki musical: tenhem boas canciões. Oh! Pois si amigos, algo raro entre os grupinhos independentes de hoje em dia, pero deve ser que a estes lhes sobra talento e, ademais de aportar originalidade sónica, sabem fazer temas que segues oíndo na tua cabeça despois de rematados. Agardo impaciente o seu 1º disco.
Só com Why Go já tínhamos a entrada amortizada, pero ainda assi quedamos a ver aos seguintes, os até entom desconhecidos (para mim, claro) HEALTHCONTROL. Os componhentes desta banda madrilenha fugem das etiquetas e dim que fam “impostrock”. A verdade, eu nom saberia como clasifica-los. Numha canciom sonavam-me post-rock, noutras mais indies, noutras -apuntava Buitre- pareciam !!!, em fim... vai ser certo o que dim eles! E polo momento, à espera de conhece-los máis, até aqui podo dizer.

Sábado, 28 de abril de 2007

De esquerda a direita: Sokram, Jamás, Murdock, García e Mou: DKTC!!


Tocava desprazar-se a um garito vezinho dos anteriores: a Fábrica de Chocolate. Por certo, hai que reconhecer-lhes aos seus gestores umha decidida aposta póla música ao vivo –case que todos os dias tes a oportunidade de ver um grupo- e o seu eclecticismo: assi a bote pronto, lembro-me dum concerto do clásico do power pop Paul Collins, ou doutro do rapeiro brasileiro Black Alien. Desta vez fomos ver (perdom, fum ver, porque nom atopei companhia; à mesma hora tocavam Los Planetas e já se sabe, hai moito indie... alá eles, a relaciom qualidade-prezo foi bastante superior aqui: só 5 €) aos que quizais sejam o meu grupo de hip hop favorito do momento: os Beastie Boys de Ordes –e nom é nengumha broma-, DIOS KE TE CREW. Para os que ainda nom os conheçam: http://www.theartwolf.com/dios_ke_te_krew.htm. Para os que si, a bom seguro nom lhes sorprenderá saber que, mália o enorme retraso co que começou a actuaciom, e apesar tamém do pouquíssimo público congregado (duas dúzias?), nom defraudárom. É mais, tivemos ocasiom de conhecer de primeira mão como vai o progresso compositivo/interpretativo do grupo: a reelaboraciom de temas antigos e o que se puído ver dos inéditos que deixárom caer transmite boas vibraciões. Ogalhá nom haja que agardar tanto pólo 2º disco como pólo 1º!

Bônus: Quarta-feira, 3 de maio de 2007

Umha semana mais tarde, voltamos ao lugar do delicto –A Casa de Arriba- para ver tocar a THE JAYLANDERS (3 €, teloneiro incluído, e umha cerveja de regalo). Se a semana anterior tivéramos umha raciom de tradicionalismo “negro”, a cargo dos Mr. Dixie Jazz Band, desta volta tocou o lado mais “branco” do revival. Tenho que admitir que fomos com certa prevenciom, já que pola forma de anunciar o concerto podia parecer que ia consistir exclusivamente de versiões de Pete Seeger –o que por fortuna nom aconteceu, ao contrário, chegárom a tocar “The River” do Boss. Pero a práctica totalidade do concerto adicou-se a velhos clásicos do folk americano, com incursiões no lado mais country ou mais blues, ou mesmo no cancioneiro irlandês (estes cabrões sabem o que nos gusta!). A banda, de reciente criaciom, contou com violino, baixo, guitarra, acordeom e bateria –e harmônica nalguns temas, of course-, e de certo que sabem como toca-los. Os meus momentos favoritos, as interpretaciões de “John Henry” e “Jesse James”: para passar todo o rato batendo co pé no chão e tirando o sombreiro ao aire. We shall overcome / Venceremos nós!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Paisages 3: O guepardo de Cabo Home



Umha das máis raras e perigosas espécies que havitam O Morraço...