quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A Enciclopédia da Música Clássica, vol. 4: NRA & Paisley

Já está disponível o 4º volume da Enciclopédia da Música Clássica! Despois do nº 1, sobre as origes da música culta contemporánea (Sex Pistols e demais...), do nº 2, sobre a New Wave, e do nº -1, sobre o rock psicodélico de finais do '60... já podedes disfrutar com o melhor resumo possível do período que vai desde 1982 a 1988. Isso si, unica e exclusivamente ides atopar o que se deu em chamar Novo Rock Americano (NRA) e os grupos neopsicodélicos da escena Paisley Underground. Que nom vos ubicades demasiado? No problemo, para isso estamos em Arbolícia. Marchando umha lecçom resumida de musicologia oitenteira (recomenda-se baixar primeiro o arquivo, descomprimi-lo, e escoitar mentres vos culturizades):


REM: Que se vai dizer deles que nom estea dito já. Os de Athens estavam no ano 1984 em plena forma e faziam jóias como este “Harborcoat” (do LP Reckoning), que nom precisou ser single para virar clássico.


Guadalcanal Diary: Uns dos que nom tivérom éxito e ficárom como banda de culto. Aínda que na cançom aquí incluída (do disco Walking in the shadow of the big man) parezam copiar a REM, o certo é que a sua música era variada e sorprendente como poucas. A descubrir, absolutamente.



Winter Hours: e se de Guadalcanal Diary aínda haverá quem se lembre, de Winter Hours já é mais difícil. Eram uns segundons, pero tamém capazes de fazer algumha que outra marabilha como este “Wait till the morning”, tirada do disco homónimo (1986) que compilava vários EP’s.


Feelies: Grupo peculiar, começaram no ano 1980 com um disco de corte post-punk minimalista, estilo Velvet Underground. Tardárom 6 anos em sacar a continuaçom, The Good Earth, produzido por Peter Buck e com um aire diferente, de onde extraemos este “The high road”.


Green On Red: Os de Chris Cacavas ficam como um dos grupos mais carácterísticos do Novo Rock Americano (NRA) de mediados dos ’80. Gravity talks foi o seu primeiro LP, publicado em 1983 despois de sacar um par de EP’s.



Flying Color: Outros dos que caerom no esquecemento generalizado, mália ser umha máquina de facturar pequenos himnos de pop guitarreiro, especiais para dias de chúvia. Quem o duvide faria bem em escoitar o seu disco homónimo, que incluía entre outros o pequeno hit “Dear Friend”.



True West: A banda dum mítico do rock americano como Russ Tolman sacou dous mini-LP’s no 1984 e nos dous incluía o seu tema mais característico, “And then the rain”, se bem era moito melhor versiom a do disco Hollywood Holiday, que por suposto é a incluída nesta compilaçom.




The Silos: O bom de Walter Salas-Humara segue a sacar discos a dia de hoje. Quando debutou, no ano 1986, com o LP About her steps, fazia um rock moi do estilo da época. Logo evoluiu, e paga a pena escoitar tamém o seu trabalho posterior, que tem sempre o seu toque persoal.



Thin White Rope: A tia que os contratou admitiu que, para que a discográfica aceptara ficha-los, os colou como pertencentes à daquela puxante escena Paisley Undergroud, com a que tinham pouco que ver: o seu nom era a psicodélia lánguida senom o rock desértico, como o que se pode desfrutar no seu LP Exploring the axis de 1985.



Long Ryders: Grupo paradigmático do lado mais próximo às raízes, mesmo ponhiam sombreiros vaqueiros sem vergonha! Venerados polo Ruta 66, a sua obra mestra é o dico Native Sons de 1984, pero a cançom incluída aqui provém do mini-LP 10-5-60, publicado o ano anterior.




The Replacements: De Minneapolis, a banda de Paul Westerberg (um dos grupos favoritos de Tom Waits nos ‘80) nom era facilmente reducíveis a umha etiqueta. No seu LP Let it be (1984) colaborava, como nom, Peter “estou-em-todas-partes” Buck.


Violent Femmes: E se os anteriores eram inclassificáveis, que dizer deste trio punk/folk de Milwaukee. Capitaneados por Gordon Gano, o seu debut Violent Femmes (1983) é umha autêntica marabilha com tralhazos acústicos como este “Blister in the sun”.




The Steppes: É de sobras conhecida a minha debilidade por estes americano-irlandeses que, liderados polos irmãos Fallon, acadárom as mais altas cotas do folk-rock psiquedélico... sem que ninguém se enterara. “Tourists from timenotyet”, do LP Stewdio (1988), foi a sua melhor aproximaçom a um single de pop perfecto.



Dream Syndicate: A banda primigênia do –a estas alturas- patriarca do rock americano Steve Wynn publicou em 1982 The days of Wine and Roses, o disco que deu o pistoletazo de saída a toda a escena Paisley Underground, radicada em Los Ángeles.




The Rain Parade: O seu Emergency Third Rail Power Trip (1983) está considerado por moitos (entre os que me incluo) umha das obras mais perfectas do pop/rock dos anos ’80. Lisérgica até dizer basta, inclúe melodias que fariam palidecer de enveja a The Byrds. “What she’s done to your mind” é o melhor exemplo do que sabia fazer David Roback antes de Opal e Mazzy Star.



The Three O’Clock: Vezinhos dos grupos anteriores, os seus primeiros discos –como o Baroque Hoedown de 1982, de onde sacamos este “I go wild”- conjugavam psicodélia e energia guitarreira. Posteriormente fôrom caendo no pasteleo-com-teclados tam próprio da época. Por certo que ao começo se chamavam Salvation Army, até que a organizaçom do mesmo nome os fijo mudar.



The Bangles: Si, som elas, as mesmas dos mega-éxitos “Walk like an Egyptian” ou “Manic Monday”. Antes de passar-se ao rolho Prince faziam parte da escena Paisley, e versioneárom o “Going down to Liverpool” que publicaram o ano anterior Katrina & the Waves (si, os de “Walking on sunshine”, mas tamém a banda do ex-Soft Boy Kimberley Rew). Incluído em All over the place (1984).



Game Theory: A banda de Scott Miller eram dos mais popeiros do Paisley Underground. Chegárom a completar obras mestras como Big Shot Chronicles (1986) ou o Lolita Nation (1987), onde se pode atopar esta marabilha titulada “Chardonnay”.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Instrucções para habitar o mundo

Em Arbolícia está moi estendida a admiraçom por Miguel Brieva, um ser pensante que tem como hobby fazer pensar a outros seres mediante a noble arte da ilustraçom. El corresponde a esta admiraçom regalando-nos reflexões como a seguinte (pinchar na image para ver ampliada).


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A natureza da mente consciente

Este artigo de Ignacio Morgado Bernal (catedrático de Psicobiologia da UAB), que foi publicado no jornal espanhol El País o passado 9 de fevereiro, reflicte moi bem algumhas das teimas que me rondam ultimamente pola cabeça. De jeito para mim sorprendente, o autor nom parece conceder um grande valor ao hipotético achádego da “fórmula” que explique o fenómeno da consciência. Por umha banda, devido a que provavelmente a nossa mente nom estea preparada para entender essa explicaçom, polo menos no seu estado evolutivo actual. Mas tamém vem dizer que, mesmo se o entendéssemos, e déssemos com os “algoritmos” (ou o que fosse) que a produzem, isto teria pouca importância. Nom coincido em absoluto com esta interpretaçom: desde o punto de vista dum engenheiro de sistemas, a possibilidade de estudar a consciência deste jeito seria algo absolutamente revolucionário. Sem ir mais longe, porque possibelmente seria reproduzível. A dia de hoje sabemos como criar redes neuronais artificiais que emulam o comportamento do cerebro. Se, ademais, fossemos capazes de criar consciência (ou replicá-la, ou armazená-la) a conseqüência seria o maior câmbio de paradigma da história do pensamento. Pensemos por exemplo na possibilidade de “migrar” a consciência dum sistema natural –o nosso cerebro- a outro artificial criado por nós. Nesse caso o nosso Eu deixaria de estar confinado no nosso corpo, finito e com data de caducidade, e existiria quando menos a possibilidade teórica da inmortalidade ou da ubicuidade. Ciência ficçom, a dia de hoje. Mas num futuro, quem sabe... é este o destino natural da humanidade? É jogar a ser deus? Estamos predestinados para isso? Ou som simples palhas mentais? A minha resposta a todas estas preguntas é SI, mália serem aparentemente excluíntes entre si. Mas quizais deveriamos resucitar a Philip K. Dick e preguntar-lho...
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NOTA: no artigo, os comentários em cursiva som meus.
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O cerebro dota-nos aos humanos de poderosas sensações e percepções. Se abrimos os olhos um dia soleado sentimos que toda a paisage que contemplamos está chea de luz. O olor do almorço matinal parece-nos que está aí fóra, saíndo da cunca de café quente. Mas o certo é que essa luz e esse olor só existem na nossa mente, pois som o modo em que o cerebro fai que percibamos as diferentes formas de energia que circundam o nosso entorno. Fóra de nós nom hai luz, só energia electromagnética; nem olor, só partículas volátiles. É dizer, o cerebro crea a mente e fai-nos percibir o que acontece fóra e dentro do nosso corpo dum modo especial que nom tem por que coincidir com a realidade mesma. Esse modo especial nom é outra cousa que a consciência e os seus contidos, um fenómeno que ademais de dar sentido à nossa vida aporta flexibilidade ao comportamento e converte-nos em seres verdadeiramente inteligentes.

Se cavilamos sobre elo nestas páginas é porque moitos científicos acreditam que a natureza da consciência é o principal problema que a moderna biologia tem aínda que resolver [eu tamém]. Trata-se na realidade dum problema moi especial que nem sequera sabemos moi bem como considerar e investigar. Abundam, nom obstante, as reflexiões sobre o mesmo e os trabalhos de investigaçom que tentam aborda-lo desde algumha perspectiva particular. Recentemente, no Instituto Tecnológico de California (Pasadena, USA), eu mesmo participei em experimentos para conhecer mediante resonância magnética funcional as partes do cerebro activadas a depender de se os sujeitos percibiram ou nom conscientemente estímulos luminosos apresentados brevemente nalgum dos seus olhos.

O que acontece é que o problema da consciência nom se esgota nem moito menos no conhecemento dos circuítos e a actividade cerebrais que a fam possível. O que quizais mais nos intriga é conhecer como essa actividade cerebral gera o estado consciente, é dizer, como tem lugar a emergência ou câmbio qualitativo que convirte a actividade do cerebro em percepções conscientes tam específicas e genuínas como a doçura do doce, o azul do azul, a dor do doroso, é dizer, como som possíveis as diversas experiências conscientes que invadem a nossa mente, sejam em forma de sensações, motivações, sentimentos, lembranças e ilusões, ou seja, o que os filósofos chamam qualia.
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Mas, ao preguntarmo-nos sobre como a actividade cerebral gera a experiência consciente, que tipo de resposta estamos a buscar? Tente o leitor pensar e respostar: como entender o câmbio qualitativo do fenómeno fisiológico ao fenómeno mental? Que podemos agardar para explicar o fenómeno psíquico da consciência? Acaso algoritmos informáticos ou fisiológicos?
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Conformariamo-nos com umha fórmula matemática, novas partículas físicas ou umha forma de energia até agora desconhecida? [desde logo, eu conformaria-me com qualquera dessas possibilidades] Em realidade, sendo a consciência um fenómeno tam genuíno e especial, talvez antes que nada devamos preguntar-nos se pode existir algum tipo de explicaçom inteligível sobre a sua natureza capaz de satirfazer plenamente o nosso interesse científico. O própio Nobel Francis Crick colocava essa mesma questom deste modo: podem os qualia ser explicados polo que conhecemos da ciência moderna? Persoalmente, eu duvido de que saibamos o que estamos buscando quando estudamos a natureza íntima da consciência. Creo, em realidade, que nom o sabemos.

Quando tentamos explicá-lo podemos dizer que falar da consciência é como falar da relaçom entre o cerebro e a mente e, nesse sentido, umha das metáforas mais utilizadas é a que afirma que do mesmo jeito que a temperatura nom é mais que a cinética ou velocidade de movemento das partículas que integram um corpo, a consciência deveria ser o mesmo que a actividade fisiológica cerebral que a fai possível, e punto. É dizer, o mesmo visto dende outra perspectiva. Mas nom resulta doado conformar-se com essa explicaçom, porque aínda que a temperatura que avalia um termómetro seja simplemente umha maneira macroscópica de observar o movemento das partículas, o cerebro, a diferença do termómetro, nom só avalia, senom que convirte o resultado da avaliaçom numha nova experiência moi especial que chamamos calor. Podemos dizer entom que a calor nom é outra cousa que o modo que tem o nosso cerebro de decatar-se do movemento das partículas dum corpo, mas seguimos sem explicar a especificidade da experiência consciente que fai possível essa particular percepçom. Qualquera outra metáfora poderia remitir-nos à própia consciência sem explicar-nos a sua natureza.

Hai entom umha soluçom possível para o problema da consicência? Eu penso que actualmente nom o hai [e seguramente seja certo, actualmente], e tentarei explicar por que mediante umha metáfora. Para preparar umha comida saborosa precisamos dumha boa receita, ajeitados ingredientes e conhecer a correcta sequência e temporalidade para cozinhá-los. Mas, acaso aportaria algo ao resultado final o conhecer como a combinaçom de ingredientes e o cozinhado originam o bom sabor do produto final? [possivelmente] Poderia esse conhecemento melhorar o resultado? [por que nom?] Aportaria ao cozinhado algumha vantage, propiedade ou utilidade práctica? Provavelmente nom [provavelmente SI, diria eu]. É dizer, em princípio, parece mais relevante e necessário conhecer os ingredientes e a mestura precisa que fam possível um sabor que determinar a natureza do própio sabor como fenómeno mental consciente. Pois do mesmo jeito coido que, aínda que puidéssemos conceber e mesmo conhecer algumha explicaçom convincente sobre como a fisiologia inconsciente se converte em psique consciente e em que consiste esta última, esse conhecemento nom serviria para nada mais que para satisfacer a nossa curiosidade científica, sem aportar nengumha vantage práctica.

E essa é para mim a clave dado que, ao longo da evoluçom, a selecçom natural promove unicamente cousas úteis [dacordo, mas o significado de "útil" pode tamém evoluir]. Desse modo, aínda que conhecer os mecanismos naturais que fam possível a consciência é algo que podemos alcançar cientificamente e que terá sem dúvida consequências prácticas na clínica o a educaçom, conhecer a natureza íntima da subjectividade, aparte de satisfazer, como dizemos, a nossa curiosidade científica, seria de pouca ou nula utilidade, e quizais essa é a razom pola que a selecçom natural pode nom ter promovido o desenvolvemento suficiente do cerebro humano que faga possível a compreensom da natureza da consciência.

A mente consciente foi promovida pola selecçom natural em resposta aos câmbios e desafios que se produzírom ao longo da evoluçom no entorno dos animais, como um médio para adaptar-se a eles. É dizer, para sobreviver os animais tivérom que desenvolver flexibilidade mental e condutual, o que proporciona a consciência. A nossa capazidade cerebral para entender a natureza da mente consciente evoluirá quando novas condições ambientais fagam verdadeiramente necessário este entendemento [efectivamente, aínda que estas condições podem nom ser tam só ambientais, ou seja externas, senom internas, derivadas da vontade do género humano], aínda que tamém é possível que entom surjam novas e difíceis questões que serám o preço dessa promoçom.
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domingo, 20 de janeiro de 2008

Robin Hood chama-se Francisco

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Por dignidade, por justiça, num mundo decente Francisco M.E. deveria ser livre. Mais el está na cadea mentres os banqueiros se revolcam nos seus feixes de bilhetes.

Notícia sacada d'a Voz de Galicia e escrita por Nacho Bolívar.

Detenhem o presso que repartia os seus botins entre os demais reclusos.

Robin Hood, o veterano atracador de bancos e joierias que se caracteriza pola sua afeiçom a repartir sempre o botim entre os seus companheiros do cárcere madrilenho de Aranjuez, volveu ser detido pola policia nacional tras aproveitar um permiso penitenciário para asaltar umha sucursal financeira.

Francisco M.E., de 54 anos, está acusado esta vez dum atraco levado a cabo o passado 14 de janeiro num banco de Leganés, umha populosa cidade dormitório do sul da capital. Armado com pistola, intimidou aos empregados do banco e apoderou-se de 203.530 € e 7.838.000 pesetas. Em dias posteriores, enviou 40 giros postais a pressos do centro penitenciário de Aranjuez, onde cumpria condea, assinados como Robin Hood.

Os agentes começárom a sospeitar da sua autoria pouco despois de cometido o atraco.

A primeira hora da manhã, Francisco pediu umha entrevista com o director do banco. No seu transcurso, extraeu de entre as suas roupas umha pistola e intimidou aos empregados. Com grande tranquilidade deu-lhes as ordes precisas para levar todo o efectivo disponível. Os investigadores seguírom de perto a pista de Francisco. Soubérom entom que, de novo, abandonava o cárcere para desfrutar de outro permiso. Rapidamente estabelecérom um dispositivo para a sua localizaçom e o mesmo dia no que saiu seguírom-no até a central de correos, onde o detivérom.

No momento do seu arresto, intervinhérom-se-lhe 13 impresos de ordes de pago a outras tantas persoas ingresadas em distintos cárceres, assi como 51 impresos das mesmas características e 5 feixes de 100 bilhetes de 10 €.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Amor, paz e milanesas

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Paralelamente ao Congreso Internacional de la Lengua celebrado fai uns anos na cidade argentina de Rosario, houvo um congresso da língua para nenos. Nel, uns 100.000 nenos rosarinos de entre 4 e 14 anos de idade participaram numha enquisa acerca de qual era a palavra mais linda. As mais votadas foram Amor, Paz, e Milanesa (ou Escalope).

A moi fermosa verba MILANESA foi a mais votada entre os rapazes das famílias mais humildes. O jornal informa de que daquela um kilo de milanesas custava 3 dólares.

Eram tempos de fame.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Guindar-se ao mar por 5.000 pesetas


Recupero esta notícia que escriviu E. Mouzo n'a Voz de Galicia, um 5 de dezembro de 1998. O seu protagonista é um marinheiro peruano de nome Fernando, tripulante do pesqueiro Pescalamar I, que se achava atracado no peirao corunhés de Linares Rivas.
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Aconteceu que esse dia, o pobre de Fernando se botou ao mar. E puxo-se a nadar, segundo parece com o objectivo de chegar ao peirao do Leste e despois voltar ao seu barco. Pero calculou mal: ia vestido, e entre o peso da sua roupa e o frio da auga começou a se afundir. Houvo morrer, mais os marinheiros dum pulpeiro que entrava no porto avisárom a Salvamento Marítimo, e alá fôrom estes na sua lancha rápida. Chegárom onda el, recolhero-no, e levaro-no até o seu barco para que mudasse de roupa. Tomárom-lhe os seus dados, botárom-lhe umha bronca ("nom o volvas fazer") e recomendárom-lhe botar umhas carreiras para entrar em calor.

Pero, por que se guindou ao mar Fernando, el que apenas sabia nadar, esse frio dia de inverno? Por que arriscou a vida desse jeito? Pois por 5.000 pesetas que apostara com um companheiro. Nom parecem moitos quartos, mais si o eram para el. Queria-os para poder mercar umha rádio com a que, nas suas palavras, "romper la soledad" que sentia a bordo.

Fernando partiu uns dias mais tarde cara o Brasil. Nom sabemos se antes conseguiu umha rádio, ou se a travesia se lhe volveu fazer interminável e solitária.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pie in the sky: Música, Religiom e Política

Este é um escrito sobre frikerio musical... no que ti tamém podes colaborar



Fai uns meses meu pai amosou-me como curiosidade a cançom "The preacher and the slave", escrita por Joe Hill em 1911 e incluída no Little Red Songbook da IWW (Industrial Workers of the World). A IWW é umha antiga associaçom de trabalhadores, hoje vida bastante a menos, pero moi importante fai um século, quando eram moi activos nos USA, cumha linha moi reivindicativa. Um dos brancos das suas críticas era a organizaçom religiosa conhecida como Exército de Salvaçom (Salvation Army), cujos cánticos parodiavam. "The preacher and the slave" ataca as promesas de outra vida melhor no ceo, na que os trabalhadores poderiam por fim, segundo o Exército de Salvaçom, comer "pie" (empanada ou pastel), mentres que nesta vida tinham que conformar-se com trabalhar, rezar, e comer erva. A letra é genial (note-se a alusom ao Salvation Army como Starvation Army ou "exército da fame"):


Long-haired preachers come out every night,
Try to tell you what's wrong and what's right;
But when asked how 'bout something to eat
They will answer in voices so sweet

You will eat, bye and bye,
In that glorious land above the sky;
Work and pray, live on hay,
You'll get pie in the sky when you die

And the Starvation Army they play,
And they sing and they clap and they pray,
Till they get all your coin on the drum,
Then they tell you when you're on the bum

Holy Rollers and Jumpers come out
And they holler, they jump and they shout
Give your money to Jesus, they say,
He will cure all diseases today

If you fight hard for children and wife-
Try to get something good in this life-
You're a sinner and bad man, they tell,
When you die you will sure go to hell.

Workingmen of all countries, unite
Side by side we for freedom will fight
When the world and its wealth we have gained
To the grafters we'll sing this refrain

You will eat, bye and bye,
When you've learned how to cook and how to fry;
Chop some wood, 'twill do you good
Then you'll eat in the sweet bye and bye

Musicalmente a cançom nom está mal, e pode atopar-se em multitude de versiões. Por exemplo, a deste fulano:

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Bem, pois pouco despois de conhecer esse clássico, estava eu escoitando umha das minhas canções favoritas dos Dropkick Murphys, "Worker's Song" -um nº 1 nas listas punkarras de Arbolícia-, quando ao chegar o estribilho dei-me de conta que umha frase que nunca entendera di precisamente... "pie in the sky"! Vede vós mesmos:

Yeh, this one's for the workers who toil night and day By hand and by brain to earn your pay Who for centuries long past for no more than your bread Have bled for your countries and counted your dead
In the factories and mills, in the shipyards and mines We've often been told to keep up with the times For our skills are not needed, they've streamlined the job And with sliderule and stopwatch our pride they have robbed
CHORUS: We're the first ones to starve, we're the first ones to die The first ones in line for that pie-in-the-sky And we're always the last when the cream is shared out For the worker is working when the fat cat's about
And when the sky darkens and the prospect is war Who's given a gun and then pushed to the fore And expected to die for the land of our birth Though we've never owned one lousy handful of earth?
CHORUS (x3)
All of these things the worker has done From tilling the fields to carrying the gun We've been yoked to the plough since time first began And always expected to carry the can.

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Nom queda aí a cousa. Hai outra cançom, um autêntico clássico ademais, que todos teredes escoitado algumha vez (espero) e que já desde o começo fai referência ao "pie in the sky". Dei-me de conta mentres a escoitava por enésima vez, indo num trêm de Udine a Venezia o passado setembro. Trata-se de "The harder they come" de Jimmy Cliff, um dos melhores temas saídos de Jamaica -e por suposto nº 1 de reggae durante várias semanas em Arbolícia-, e di assi:
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Well they tell me of a pie up in the sky Waiting for me when I die But between the day you're born and when you die They never seem to hear even your cry

CHORUS:So as sure as the sun will shine I'm gonna get my share now of what's mine And then the harder they come the harder they'll fall, one and all Ooh the harder they come the harder they'll fall, one and all

Well the officers are trying to keep me down Trying to drive me underground And they think that they have got the battle won I say forgive them Lord, they know not what they've done

CHORUS

And I keep on fighting for the things I want Though I know that when you're dead you can't But I'd rather be a free man in my grave Than living as a puppet or a slave

CHORUS

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A cousa nom acaba tampouco aqui: hai várias canções que levam por título "Pie in the sky", de gente tam diversa como a E.L.O. ou Frank Black, entre outros. Pero nom atopei nengumha mais onde essa referência tenha esse carácter reivindicativo, fiel à original, que si tenhem as que ponho aqui. Assi que quedades invitados a informar de qualquer outro achádego nesse aspecto.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Os Ancares II: volta a Búrbia

A derradeira fim de semana de outubro do 2007 voltamos a Búrbia. E por fim demos finalizado a ascensiom aos Lagos... e valeu moito a pena!



A primeira tarde descubrimos um recuncho no que o rio vai encaixonado entre as rochas, e onde se podem atopar poças



O segundo dia saímos cedo pola manhá e começamos a ascensiom aos Lagos, entre o Cuinha, o Mustalhar e outro cume de pintoresco nome que nom dou lembrado.
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Nom tardamos em completar o primeiro tramo e puidemos contemplar a primeira panorámica. O povo já nem se albiscava.
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Polo caminho atopamos as nossas amigas amanitas
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O rio baixava por entre umha mesta fraga, pero pouco mais arriba as árvores começariam a escasear...
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Superamos o refúgio e continuamos subindo, chegando mais arriba do que nunca antes o fizeramos
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Polo caminho atopamos companheiros saltarins...
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E conseguimos ver os lagos!
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A auga estava fresquinha e nom invitava a banhar-se...

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... pero a panorámica final mereceu a pena

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Castañazo Rock: o Revival Bravú!

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Nom sei a quem se lhe ocurriu a idea de fazer um revival do bravú, pero hai que felicitá-lo. Porque a idea nom era trivial: nom havia nengumha efeméride óbvia, se acaso os... 16 (?¡) anos do primeiro disco d'os Diplomáticos. E, porém, como dizia o lema da revista Bravú (4 números só), a situaçom requeria-o. Requeria-o porque foi a época da nossa adolescência, medramos com esta música e estes valores, escoitando histórias de gente à que lhe fervia o peito, histórias de karnotxos e de nakras, de curas pinantes e galos vermelhos, de Xans que se penduravam de carvalhos e de travestis que gastavam os quartos na subhasta das fanecas. Assi que já nos tardava revivir esses tempos, e ali, em Chantada, na noite do 3 de novembro do 2007, nos juntamos Antom, Carlos, Pablo e mais eu. Umha boa tropa da tralha!
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Chegamos, como nom podia ser menos, tarde, e tras pagar uns módicos 2 €, entramos no mercado gandeiro, onde, como nom, comprovamos que os concertos levavam aínda mais retraso que nós. Assi que aproveitamos para cear: vinho, polvo, bocatas e carne ao caldeiro. Nos bancos atopamos família de Pablo: Ana, que nom se perde umha, e Xan Papaqueixo -que nom o podia perder porque tinha que tocar. Tamém atopariamos mais tarde a outra que nom podia faltar: Miriam, a quem a festa lhe quedava, por umha vez, mais ou menos perto da casa.



Mentres ceavamos começarom a tocar Zënzar, a já veterana banda de Cerceda. Aínda que vivírom a época do bravú nom chegárom a ser incluídos nesse saco, simplemente estavam por ali... fazendo o de sempre, o que mais lhes gusta: rock a saco e sem mais concesiões que as necesárias para desfrutar tocando. A verdade é que esse era o espírito musical bravú: tocar o que che apetece (basicamente rock) sem pretender ires de cool. Nom se farám ricos, pero é provável que morram dando-lhe às guitarras. Entranháveis.
Carlos Blanco fazia de mestre de ceremónias e introduzia os que fôrom, para mim, os grandes trunfadores da noite: Os Tres Trebóns do Rosal, capitaneados por Xurxo Souto e transformados, nesta ocasiom mais que nunca, num all-star bravú. Interpretárom à perfeiçom o que havia que fazer numha ocasiom como esta -homenagear- e acabárom cumha dúzia de músicos no escenário, entre eles gente d'os Papaqueixos e os Diplomáticos. Pero nom nos precipitemos: dizia que revisitárom vários temas dos de Monte-Alto, como "Berbés", pletórico, ou "Estrume" -que Xan nos devia: quase 10 anos atrás, na Festa Folk no rio Dez, passamos todo o concerto d'os Papaqueixos reclamando que a tocaram... só porque el a tocava no disco dos Diplomáticos-. Meicende cheira, Pontevedra apetrena! O momento cúmio foi quando empalmárom "Como o vento", de Radio Océano ("erguemo-nos em silêncio quando nos chama o mar..."), "Tecnotraficante" dos Papaqueixos ("Sito Miñanco preso político!", fazia tempo que nom bailava ska pogueando desse jeito), e "Licor café" de Lamatumbá. Por orde cronológica, agora qeu caio; outro simbolismo mais.
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Tras semelhante exhibiçom, Cuchufellos tinha-no difícil para manter o nivel. E claro, nom o conseguírom. Quizais, se polo menos nom tardaram mais de média hora em ponher-se a tocar, poderiam ter mantido o ambiente. Pero, polo que a nós respecta, enfriárom abondo a festa -que a essas horas da noite já começava a estar fria de por si, metereologicamente falando. Claro que jogava na sua contra o feito de que nom os conhecia de nada, e conste que nom deixárom mal sabor de boca. Haverá que ve-los noutra ocasiom.

Menos mal que despois vinham uns grandes, provavelmente o mais agardado da noite: o retorno d'os Rastreros. Para os que nom os vimos no seu dia era um concerto especial. E abofé que nom defraudárom. Nom sei se era por jogar na casa ou que, pero saírom super-enchufados e derrochando r'n'r (facciom punkarra) por todos lados. Cançom tras cançom iam subindo o pistom, e de súpeto decatavas-te de que... aínda nom caera nengum hit! Isto si que é ter um repertório amplo. I é que aquel CD que sacaram foi um dos melhores discos da sua época na GZ... e aínda nom esquecérom como defende-lo ao vivo! "Pandeirada salvaxe", "Johnny caraperro", "Rozando nos toxos", "O sacristán de Basán", e como nom, os dous hinos "Vida de Xan" e a moi actual "The Jet(a) Set", co seu retrouso "1000 obreros muertos, a ellos les da igual, la reina se masturba y el rey habla de paz!", que desta vez nom (auto)censurárom como si fizeram no disco.
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Como a cousa ia de umha de cal e outra de area, tocava baixar o pistom; e isso é o que fizérom Ruxe Ruxe. Nom tenho nada persoal em contra deste grupo, nom me caem mal nem nada, e lembro com agrado o seu concerto alá no Grelo Folk de Monfero, onde já lhes tocara a papeleta de sair despois duns Papaqueixos que rebentaram a noite. Mais, nom sei por que, nom me acabam de convencer. Assi que mentres tocavam aproveitamos para suxeitar um pouco a barra -por se acaso caia- e baixar uns poucos litros -nom nos fossemos deshidratar.
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E seriam já as 5 quando por fim saírom Motor Perkins. Tinha ganas de ve-los desde que oíra um par de canções suas na rádio. Soam como os Pogues circa 1984-85; e isso, sei-no, é moito dizer. Pero é que estes paisanos do Deça som quem de montar moita festa e de soliviantar os ánimos ao mais puro estilo festeiro-republicano-irlandês. Merquei a sua maketa e agora nom a dou sacado do reproductor do coche, se tedes a ocasiom de atopa-la, aseguro-vos que som 3 € moi bem gastados. Por certo, tenhem canções própias, e tam boas como as versões. Do concerto em si, aparte das boas sensações, nom lembro mais que algumha image e... pouco mais. É-che o malo de tocar a essas horas. Em qualquer caso, rosas vermelhas para eles, e que o vento os leve prá onde correm regatos de whiskey.
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E quando rematárom retiramo-nos, co corpo derrotado pero o espírito cheo, a tentar durmir um par de horas no coche. Fora umha boa noite, umha para lembrar. Desde logo, o concerto de meses em Arbolícia.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Paisages 8: As Cies

Verão do 2006. Arde Arbolícia -pero nom queima! Um grupo de aborigens busca refúgio nas ilhas. Ali, o lume é só um mal recordo e o rastro do fume confunde-se ao longe com a brétema da ria. Os dias passam felizes. Continuará...