domingo, 14 de setembro de 2008

Por umha nova divisom administrativa da Galiza

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Reproduzimos aqui, apesar de repetir-nos e para que este blogue seja auto-contido, o post que publicamos no blogue irmao Outra Esquerda.
Exporemos em primeiro lugar de jeito mui breve a nossa proposta de reestruturaçom territorial do país, para despois passar a fazer umha justificaçom mais pormenorizada.

Digamos entom, a modo de resumo, que avogamos por um país formado polas seguintes entidades:

- As unidades principais, responsáveis de exercerem as competências nom assumidas polo poder central galego, seriam os novos Concelhos, originados num processo de fussom dos existentes. Eliminariam-se assi os concelhos atuais, que julgamos inoperantes e carentes de qualquer fundamento geográfico, econômico ou sociocultural. Os novos concelhos seriam de maior tamanho, acadando a dimensom necessária para poder fornecer os cidadãos dos serviços que lhes competem ao tempo que aseguram a sua viabilidade. Em termos gerais, estes novos concelhos concidiriam com as bisbarras ou comarcas que venhem existindo no país, e chamaremo-los portanto de aqui em diante “Bisbarras”, a fim de evitar confusões com os concelhos atuais.
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- Como nível administrativo mais próximo ao cidadão instituiriam-se as novas Parróquias, as quais nom teriam por que coincidir necessariamente com as atualmente existentes. Corresponderiam-se com umha ou várias parróquias atuais (no ámbito urbano, com um ou vários bárrios), e cumpririam a funçom de serem a primeira canle de participaçom popular nos assuntos comuns. Funcionariam em base a assembleias abertas nas que teria lugar o debate vezinhal acerca dos assuntos locais. Para o traslado das decissões assembleares ao concelho (a fim de comunicar-lhe qual é a opiniom maioritária entre a povoaçom), e viceversa (para informar aos vezinhos sobre as actuações municipais), eligiria-se um representante ou pedáneo. Para nos referir a estas novas “parróquias civís”, e a fim de diferencia-las das atuais parróquias ou freguesias eclesiásticas, empregaremos o nome de “Juntas Locais” ou “Comunas”.
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- Eventualmente, os novos concelhos poderám-se associar com outros da sua contorna a fim de coordinar acções e mancomunar serviços. Apareceriam assi Áreas Metropolitanas ou Regiões Funcionais, a depender de se o ámbito é urbano ou rural. Estas associações de concelhos nom constituiriam um nível administrativo mais, nom tendo carácter permanente nem exclusivo: um concelho poderia fazer parte de umha, várias ou nengumha, segundo a sua conveniência. Por exemplo, os concelhos do Golfo Ártabro poderiam constituir umha área metropolitana da Crunha-Ferrol, da que bem poderia fazer parte Bergantinhos, dada a vinculaçom da sua parte oriental (Carvalho, Laracha) com a cidade da Crunha; sem que isto impedisse a participaçom a maiores de Bergantinhos numha hipotética associaçom de concelhos da Costa da Morte. É dizer, nom se propugna umha regionalizaçom do país que divida Galiza administrativamente em 8 ou 10 áreas, mais si se contempla a possibilidade de que os concelhos se associem entre eles sem necessidade de criar estruturas permanentes.
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Exponhem-se a seguir os motivos que fundamentam esta proposta.
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A administraçom local é a mais cercana à cidadania, e a forma que adopta condiciona a eficácia e a eficiência dos serviços que presta. No caso galego, é claro para qualquera observador que a actual divisom administrativa é mui pouco ajeitada às necessidades que deveria cubrir. É preciso (tal e como já se vem reclamando desde diversos ámbitos, incluíndo o político ou o académico), umha profunda reforma que a acerque à realidade, e que ao mesmo tempo sirva para ponher os alicerces do país que queremos construir.

O problema pode-se resumir mui brevemente em que:

a) o tamanho da maioria dos concelhos é insuficiente para poder afrontar convenientemente as tarefas que tenhem assignadas.

b) estes concelhos rara vez correspondem a algumha unidade realmente existente, bem seja de carácter geográfico, demográfico, económico ou cultural; polo que, apesar de contar com quase 200 anos de existência, nom conseguírom criar nengum tipo de identificaçom por parte dos cidadãos que supostamente representam, nem constituem instrumentos verdadeiramente úteis para servi-los.


PANORAMA CRONOLÓGICO

A causa do problema está na mesma orige das demarcações actuais. Estas remontam-se à primeira metade do s. XIX, quando se instaurou a divisom territorial espanhola proposta por Javier de Burgos. Daquela dividiu-se Galiza em 4 províncias totalmente artificiais, que nom respostavam a razom nengumha mais alá da de copiar o sistema “departamental” traído da França (a opçom de manter as 7 províncias do Reino de Galiza vigentes até entom teria sido igualmente artificiosa, agás polo simple feito de manter a tradiçom). É significativo que a medida ocasionou o primeiro grande levantamento armado na Galiza desde o tempo dos irmandinhos: o provincialismo, que defendia a criaçom de umha única província que mantivesse assi a unidade do país galego. As 4 províncias, com as suas “deputações”, mantenhem-se até a actualidade, mesmo quando ninguém defende hoje em dia a sua utilidade, exceptuando alguns parásitos que vivem delas (e nom todos). Mais a principal característica de aquela divisom foi a escolha do primeiro nível administrativo local: os concelhos. Vejamos este tema mais polo miúdo.

Desde fai muitos centos de anos, a povoaçom galega agrupa-se em células de umha pervivência insólita: as parróquias. O termo, proveniente do grego paroikia (que significa moradia ou juntança de vizinhos), designa um ámbito existente em muitos casos desde antes da chegada dos romanos, e que chega até os nossos dias tras séculos de institucionalizaçom através da Igreja católica. Na inmensa maioria do território galego (exceptuando as 7 cidades e algumhas grandes vilas) a identificaçom efectiva, práctica, de cada indivíduo fai-se, nom a respeito do município, senom da sua parróquia. Som os habitantes de cada parróquia os que se auto-organizam para fazer as festas patronais, por exemplo, no que constitui o mais gráfico exemplo da sua vitalidade. O qual resulta sorprendente se consideramos que, salvo puntuais alterações, estas mantenhem-se inmutáveis: as 3.571 parróquias citadas nas “Relaciones de Felipe II” em 1587 som basicamente as mesmas que as 3.811 que apareciam no “Censo general de la población” de 1960, quatro séculos despois (a efectos prácticos, e descontando as chamadas “anexas”, o número de parróquias pode cifrar-se em algo menos de 3000).

Se se tivera feito umha divisom administrativa ajeitada à realidade social, teriam-se escolhido as parróquias como unidade básica. Isto presentava o inconveniente de produzir um número mui elevado de concelhos, e de mui baixa povoaçom, polo que nom eram apropiados para o sistema funcionarial espanhol que se queria artelhar. O lógico, entom, teria sido ir cara a unidade inmediatamente superior às parróquias: as comarcas ou bisbarras. Estas correspondem-se com unidades geográficas, geralmente artelhadas em torno a vales ou serras, que determinam unidades socio-económicas, e que freqüentemente se denominam como “Terra de...”. Por serem um ámbito mais extenso que as parróquias, a sua natureza é por força mais difusa, polo que nom existe umha “lista única” de bisbarras. Mais, apesar de isto, constituem realidades facilmente identificáveis: o seu número pode oscilar nas diferentes versões entre 50 e 60 e pico, o que constitue umha pequena oscilaçom. Na sua maioria estám mui bem definidas, e correspondem a entidades identificadas tanto a nivel culto como popular, como Trives, Caldelas, Ribeiro, Deça, Terra Chá, Soneira, Barcala, Morraço, Condado, etc, por ponher exemplos de toda a geografia galega.

Mais as bisbarras nom fôrom adoptadas tampouco como a base para constituir os novos concelhos. Estes teriam sido demasiado grandes, comparados com os do resto do Estado, e o afam uniformizador que impulsou essa divisom nom podia tolerar isso. Assi, optárom por umha opçom intermédia, e criarom uns concelhos “saídos da nada”, que abranguiam várias parróquias e nom chegavam a ter entidade comarcal. Os 315 concelhos actuais som os herdeiros diretos dos criados no s. XIX.


É claro que a consideraçom de que as bisbarras som grandes de mais para constituir-se em concelhos podia ser um argumento de peso no século XIX, quando percorrer 20 quilómetros ida e volta, a pé ou em carro de bois, suporia perder um dia de trabalho. Mais é absurdo no mundo actual, quando essa viage se pode fazer em menos de umha hora aínda polas peores estradas. Ademais, se os concelhos rurais fôrom dimensionados para a sociedade decimonónica, é evidente que neste século XXI, no que muitos deles contam apenas com a metade (!) de habitantes que daquela, nom podem ser já ajeitados à nova realidade.


COMPARATIVAS: PAÍSES DA NOSSA CONTORNA

Espanha (nom incluíndo a CAG) tem 8.111 municípios, com umha extensiom média aproximada de 60 km2 e umha povoaçom de 5.450 habitantes. Os 315 galegos, geralmente maiores, tenhem umha extensiom de 93 km2 e 8.500 habitantes. Estes dados asemelham-se aos das parróquias (parish) escocesas (90 km2, 5.800 hab.), que curiosamente som entidades sem funçom administrativa algumha e que simplemente servem para comunicar a instâncias superiores a opiniom pública maioritária nelas. No complicado sistema administrativo británico estas parróquias atopam-se tamém em Gales e Inglaterra, onde contam, aqui si, com uns concelhos comunitários eleitos cada quatro anos que gestionam alguns serviços básicos (e que rara vez recebem salário por isso). Em Escócia existem tamém estes “concelhos comunitários” pero nom coincidem exactamente com as parróquias, sendo o número destas algo inferior. Nas Ilhas Británicas existem outros níveis administrativos que variam segundo a funçom que cumprem, mais o equivalente aos municípios espanhois poderiam ser as “council areas” em Escócia, as “principal areas” galesas e os distritos ingleses. Estas entidades tenhem, mesmo dentro de cada país, distinto carácter segundo a realidade que representem (urbana, rural...), e adoitam ser muito maiores que os concelhos espanhois: em Escócia, por exemplo, cada “council area” tem de média 2.500 km2 e 160.000 habitantes.

No caso mais cercano a nós, Portugal, atopamos que os concelhos (308 em todo o país: menos que em Galiza, mália ser mais de três vezes maior) contam com 300 km2 e 35.500 habitantes de média –consideravelmente mais que em Galiza e Espanha. Estas cifras som qualitativamente semelhantes às que teriam as bisbarras galegas de constituir-se em concelhos. Mais em Portugal existem tamém (logicamente) parróquias. Chamam-se freguesias e contam com certo reconhecemento oficial, existindo as chamadas Juntas de Freguesia. A extensom média de cada freguesia é de uns 22 km2 (algo mais do duplo que as parróquias da Galiza) e a sua povoaçom é de em torno a 2.500 habitantes.

Mencionaremos tamém a administraçom da França, que consta dos seguintes níveis: 22 regiões continentais -incluíndo Córsega-, 96 departamentos, 341 arrondissements, 4032 cantons, e 36.680 comunas. Destes, só as regiões, os departamentos e as comunas tenhem assembleas e governos eleitos. As comunas, o “equivalente” aos concelhos, tenhem umha extensiom média de 18 km2 e umha povoaçom de 1.750 habitantes, sendo portanto similares às freguesias portuguesas.


UMHA PROPOSTA

É necessário aumentar o tamanho dos concelhos galegos, especialmente os rurais, com o fim de dotar-lhes de um tamanho minimamente viável para cumprir as suas funções. Isto nom deveria ser feito de forma aleatória ou desordenada, senom tendendo a fazer que os novos concelhos se correspondam com as bisbarras ou comarcas verdadeiramente existentes (nom implicando isto que devam coincidir com as do mapa comarcal criado a finais dos ’90 pola Xunta de Galicia).

Estes concelhos poderám agrupar-se, se assi o desejar, em áreas metropolitanas, com a finalidade de realizar planificações e acções de governo conjuntas entre aqueis concelhos que decidam mancomunar alguns serviços. Em princípio semelham necessárias e mesmo urgentes duas àreas metropolitanas: a da Corunha-Ferrol e a de Vigo-Pontevedra.

As parróquias –ou as localidades existentes no seu caso- devem ser reconhecidas oficialmente, e nos novos (e maiores) concelhos jogarám um papel mais importante do que até agora. Ali onde os vezinhos assi o requiram, criarám-se juntas parroquiais nas que se debaterám em assembleia os asuntos comunitários, e que escolherám representante(s) ao(s) que consultarám os concelhos nos asuntos que lhes afectem. Já que nom necessariamente as novas entidades se corresponderám com as parróquias existentes, propom-se empregar um novo termo, como p.ex. comuna, para designa-las. Possivelmente, na maioria dos casos (e sobre todo no rural) haverá umha correspondência direta parróquia-comuna, mais tamém pode haver comunas correspondentes a núcleos que nom som parróquia (aldeas ou bárrios), ou várias parróquias que se agrupem numha comuna (tanto se som parróquias rurais como se constituem umha vila).

Por suposto, as províncias devem deixar de existir, cedendo as deputações provinciais as suas competências aos novos concelhos –os quais poderám exercitá-las, no seu caso, de jeito mancomunado dentro das áreas metropolitanas ou regionais.

Como conseqüência do dito anteriormente, propom-se o mapa que ilustra este post, no que se indicam os novos concelhos que se poderiam criar. Entendendo, por suposto, que se trata apenas de umha possibilidade entre moitas outras. E, o mais importante, que nengumha divisom administrativa deve ser vista como definitiva, senom susceptível de ser modificada em qualquer intre em que os seus habitantes considerem que é preciso para poder servi-los melhor. Por debaixo destes concelhos haveria umha comuna por cada parróquia ou localidade, que nom se representam no mapa.

sábado, 6 de setembro de 2008

Pareces de Cóia


Xoves, 31 de julho

Saímos de Vigo com umha hora longa de retraso sobre o horário previsto pola organizaçom. Imos Moisés, Laura, Juan e mais eu. Chegamos a boa hora e conseguimos um sítio onde ponher as 5 tendas juntas (as nossas mais a de Javi e Ful, que virám manhã). A canadiense dos sogros de Moi proporciona os primeiros intres de diversom, pois a tarefa de montá-la resulta complicada abondo. Mais risas: quando o própio Moi descobre que as duchas som comuns (oh!) e que nom trouxo banhador, nem pantalom curto, nem xabrom, nem cepilho de dentes, nem…

Objectivo cumprido: esta noite Moi nom durmirá ao raso...

Ao caer a tarde, com as tendas já montadas e tras provar algo de vinho e licor café, encaminhamo-nos para o recinto dos concertos, chegando a tempo para o primeiro grande grupo do dia: The Bellrays. Capitaneados pola negra da pandeireta, prometiam umha boa descarga de r’n’r e nom defraudárom, conjurando por momentos o espírito dos MC5. Bem para começar.

Seguírom Mando Diao, a todas luzes umha banda das que hai centos, mais com a que desfrutei como um anano devido sem dúvida ao nosso comum estado de animaçom. E é que, que mala que é a sobriedade…
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Por fim, os Sex Pistols. Encomiável o espírito destes abueletes, que em vez de aproveitar as viages do Imserso británico prefirem montar-se o tour eles mesmos. Nom direi que estavam em boa forma pero si que soárom moi bem, mália as peroratas do Johnny Lydon-Rotten. Pagando tributo aos precursores, versioneárom três clássicos do pre-punk como No Fun (Stooges), Stepping Stone (Monkees) e Roadrunner (Modern Lovers). Dignos cabeças de cartel.

Com as forças aínda relativamente intactas do primeiro dia, dirigimo-nos ao outro escenário a ver outro dos pratos fortes, DJ Amable, quem fiel ao seu estilo pinchou um pupurri de indie hits e nos mandou contentos para a tenda. Nom sem antes enchermo-nos de lama até os nocelhos polo caminho…

Venres 1 de agosto

O sol inmisericorde fai que às 10 as tendas sejam já umhas saunas, pero o Moi consegue que nom perdamos o bom humor: o seu comentário “Que nom hai auga quente nas duchas? Nom me jodas!! Se é o mínimo!” fai-me escachar com a risa durante um bom cacho.

Descasando à beira do rio...


Passamos o dia entre as sombras da beira do rio, até que pola tarde vam chegando os que faltavam: Maricarmen, Javi, Ful, Chente, José Antonio e Joaquín. A tenda destes dous últimos resulta ser umha prova aínda mais dura que a de Moi, e as duas horas empregadas em montá-la fam que cheguem tarde ao primeiro grupo da noite, os fabulosos Two Gallants. Estes dous ghichos, a quem já viramos em Madrid, som do mais recomendável da actualidade, tanto em disco como em direto. Que energia, que raiva falsamente acumulada, quanta fame imaginada! E que pintas, e, sobre todo, que canções: o repertório que podem despregar em 40 minutos tem poucos rivais agora mesmo. Por todo isto, os trunfadores da jornada.

Sobre The Rakes passarei rapidamente; já lhes estou adicando mais tempo do que tardei em esquece-los. E de The Sounds, que dizer? Pois que tenhem umha cantante que se explota moito (aínda que nom tal, segundo Moi, quem já os vira e asegura que estivo comedida, nom me quero imaginar como será quando se desata); que tenhem 3 ou 4 temas que estám bem; e que, tendo tam pouco, estirárom a sua actuaçom mais do apetecível. Um festival com 1 só escenário tem estes inconvenientes: nom podes escolher.

Chegárom por fim The Editors, a quem tinha moita gana de ver desde que os perdim no Summercase. Sei que nom revolucionarám nada, e que apenas som umha cópia de Interpol com grandes canções –o que já está bem-, pero a mim gustam-me... mágoa que essa sensaçom de nom ser umha banda fundamental tamém a transmitam em direto: faltárom alguns gramos de emoçom.

E pechando a noite, Primal Scream. Agardava (por pedir que nom quede) um concerto brutal e memorável, provavelmente centrado na sua faceta mais rockeira. Nisto último acertei, no primeiro nom tanto. Bebérom, efectivamente, do seu repertório mais rock, tanto na faceta surenha de “Give out but don’t give up” como na mais actualizada de “Evil Heat” ou do último disco. Fixérom incursões tamém no “Screamadelica” –nom por casualidade, a moi rock “Movin’ on up”- ou no “XTRMNTR” –tem mérito reproduzir o “Swastika Eyes” mais ou menos ao vivo-, expnhendo umha moi válida leitura da sua trajectória musical. Se tam só tivessem originado algum que outro motim, seria umha actuaçom memorável. Assi, acadárom o que vindo doutro grupo teria sido umha exhibiçom, pero deles sabemos, polas crónicas, que podem dar algo mais.

Sábado 2

Maricarmen e mais eu deixamos a esta gente abandoada em Paredes, indo passar o dia a Vigo. Um fastuoso arroz caldoso caseiro de ameijas e luras e umha sesta de 3 horas deixa-nos como novos. Voltamos a tempo de tentar, em vão, rematar o vinho e licor café. Chegamos puntuais para ver a The Mars Volta (justo antes tocaram the Teenagers, a quem daquela nom conhecia), quem dérom a maior exhibiçom da fim de semana. Tanto física –esses saltos mortais cara atrás de Cedric, o cantante, ou o exercício contínuo do bateria- como musical -essa revisitaçom do rock setenteiro a la Led Zeppelin ou Black Sabbath, com puntuais derivações free-jazzísticas, sempre a tope de intensidade. Vencérom por esgotamento, por K.O. total, apabulhando por momentos até que os fixérom rematar o concerto (que devia ter sido o derradeiro do dia, mais foi mudado de hora por problemas logísticos com o seu equipo). Umha mágoa que Moisés os perdera, vítima de umha infecçom de ouvido que o mandou para casa (o seu posto seria ocupado o dia seguinte por Alejandro (Marzoa), quem aguantou aínda menos: só um dia, e o domingo de volta para casa).



Ponhendo caras de malosos


Tocava-lhe despois a uns clássicos, os belgas dEUS, que demostrárom que a veterania é um grau, defendendo o seu repertório com habilidade e inteligência. Moi boa impressom a causada por estes artesans do pop no sentido mais amplo: mália nom ser dos meus favoritos, volveria pagar por ve-los ao vivo.

.E de últimos quedaram Wraygunn, que tiveram que intercambiar o seu horário com Mars Volta. Passamos deles, outra vez será.

Domingo 3

Se onte foi o arroz caseiro o que nos deu forças para continuar, hoje fôrom os bifinhos e a carne espetada dum restaurante habilmente situado às aforas do povo. Quantidade e qualidade a um preço mais que accesível. Isto, unido a um -nom menos importante- quarto de banho de verdade e em boas condições higiénicas, fixo que voltássemos ao camping com amplos sorrisos de satisfacçom.

Havia que acabar o vinho e o licor café, tarefa árdua que nom fomos quem de completar e que ademais fixo que chegássemos à zona de concertos quando o Tributo a Joy Division já estava rematando. Vinheram despois Biffy Clyro, de quem nom gardo recordo algum; menos mal que o festival nom durou mais dias porque o cansaço ia fazendo mais efecto cada dia.



O grupo, (quase) ao completo


Nom sei os demais, pero se eu aínda estava ali o domingo era unicamente por escoitar a The Lemonheads. Nom é que seja um fan, pero a verdade é que o "It's a shame about Ray" me parece um disco tremendo, umha obra mestra do pop/rock indie dos '90, e em apenas meia hora. Assi que, em certo sentido, nom tivem queixa, já que Evan Dando interpretou o disco ao completo (pode que faltara algumha cançom, nom sei) quase como se fora um desses concertos tam de moda agora onde as velhas glórias reproduzem um álbum tema a tema. Isso foi o que tivemos: himno tras himno de pop perfecto, abondo para debuxar um sorriso moi grande na cara do mais râncio... apesar de estarem interpretados com notável desgana e dando umha image bastante lamentável de velhos acabados. Nom se pode ter todo; polo menos som conscientes do que hai e tocárom os seus hits em lugar de castigar-nos com o que seja que fam agora.

E para fechar o festival, o dub electrónico de Thievery Corporation. Apenas os conhecia e sorprendérom-me agradavelmente, mágoa de estarmos já cansos de mais para aprecia-los como mereciam. A mim fechavam-se-me os olhos, e Ful, que durmia de pé, começou a esvarar pola aba abaixo... era o momento de dar por finiquitado o festival. Até o ano que vem!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Baixa Límia II: rio Pacim

Os vieiros infindos da Baixa Límia, revisitados mais umha vez. Desta volta, um recanto solitário do rio Pacim, onde passamos umha fermosa e calurosa manhá, sós, com apenas a companha das libélulas.





sábado, 16 de agosto de 2008

Sabes? Kirsty MacColl morreu

para Paulo



o outro dia navegando pola rede
atopei umha foto de Kirsty
tinha umha cruz e duas datas enriba
e debaixo punha que estava morta

e lembrei todas as vezes que escoitamos a sua voz
e nos namoramos dela
“é a mais fermosa que ouvim nunca” dizias
mentres faziamos plans para percorrer Irlanda de camping

pero nunca fixemos esa viage

e agora eu lembro-me
de todas as pintas que endejamais tomamos juntos, com ela
e das vezes que nom nos atopamos nos bares irlandeses de New York mentres os rapazes do coro do NYPD cantavam Galway Bay
e dos conselhos que nom lhe demos a Shane quando se meteu em vícios peores

o certo é que tampouco nos vemos moito ti e mais eu, agora
e que nom sei por que estou pensando em todo isto,
sentado diante do ordenador, vendo a foto dumha rapaza morta
que nunca cheguei a conhecer



segunda-feira, 28 de julho de 2008

Às agochadas na ducha

Com sete anos a Roberta mandárom-na da mão de seu irmão maior aos Estados Unidos, para prosperar, dixerom-lhe. Em cruzando a fronteira o seu irmão deixou-lhe as normas bem clarinhas: aprenderemos espanhol e inglês, nom volveremos falar a nossa língua nahua. Foi-lhes moi útil. Atopárom trabalho cosendo pantalões vaqueiros de seis a seis e polas noites acendiam a rádio que puidérom mercar.
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Dez anos despois volvérom até as suas terras da Serra de Puebla, para o enterro do pai. Em chegando a nai abraçou-nos, bicou-nos e finalmente preguntou-lhes polas suas vidas, polas suas cousas. Roberta explicou-lhe mil cousas com o irmão a carom que nada compreendia. -Roberta, preguntou-lhe, nom te proibim que falaras nahua? Como o lembras? Assi é que, constou-lhe Roberta, practiquei-no às agochadas na ducha.
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Texto de Gustavo Duch Guillot publicado originalmente em Galicia Hoxe o 29-06-2008, dentro da série Identidades.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Arnela

Esta cala está a ser, cada vez mais, a "nossa" praia n'as Marinhas.


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Munay ttantta

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A avoínha gardava segredos que nunca se atreveu a dizer. Por nom avergonhar. Viviu tempos nos que a sua orige, os seus costumes e a sua língua nom existiam. A carom dos seus irmãos e irmãs indígenas loitou por esses direitos. Fronte aos fazendeiros e fronte à ditadura, mas nada lográrom.
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Trocou pois de identidade, deixou a sua "pollera" e outras prendas tradicionais, cortou as suas trenças negras e disfraçou-se de de normalidade. Aprendeu a cozinhar pasta e arroz e traduzia os seus pensamentos quechuas em palavras castelhanas. Nada sabiam as suas netas da história da avoa. Porém, fôrom elas, que estudam quechua na universidade, as que a entendérom, quando hai cinco dias -froito da demência senil, dixo o doutor- ergueu-se à hora do jantar, e berrou "munay ttantta", "munay ttantta". Queremos pão! Queremos pão! Todos à casa do amo!
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Texto de Gustavo Doch Guillot publicado originalmente em Galicia Hoxe o 29.06-2008

domingo, 15 de junho de 2008

Man Man, o concerto do (que vai de) ano

A noite seguinte a Baby Dee tocava voltar ao Vera para um concerto agardado desde vários meses atrás. Em concreto desde que Moi descubriu um combo de Philadelphia posuidor dum direto -polo que se podia intuir em YouTube- formidável: os Man Man.

O chiste era doado de mais para deixá-lo passar...


(Precisamente por serem umha descoberta do Moi pareceu apropiado devolver-lhe o favor e combinar com Kunny para mercar-lhe um par de posters da sua autoria: o deste mesmo concerto e outro de Okkervil River. Curioso, por certo, o que tenhem montado no Vera com o tema posters, é umha autêntica comuna artística! Mas nom nos desviemos do tema, engadamos simplemente que Kunny, ao contrário do que agardavamos com a nossa mentalidade machista, é umha tia, e vaiamos ao que importa, a música).
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Claro que temos um problema: como descrever um concerto de Man Man? Difícil tarefa... empreguemos o mesmo método que seguem eles, e a ver que passa.
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De entrada já todo atípico. Bateria fronte a teclado de esguelho ao público em primeiro plano. Escenário ateigado apenas sítio para os músicos.

Enseguida a loucura absoluta saltos acompasados (teclista/baterista p.ex.) pinturas de guerra todos vestidos de branco

Culheres plumas botando auga num bol para fazer ruído, perdom arte


Agitando chaves no ar com todo o público imitando

Asombrosos brutais geniais fam honor ao seu nome e tocam como homes nom como niñatos

Mais de 50 anos de r’n’r e aínda hai quem teima em levá-lo a outro nível

Trompetinhas para nenos joguetes potas


Leva razom Alberto, estes estám posuídos e daria-lhes igual o rock que a caça do javarim, pero nom me gustaria ser javarim nesse caso.

Arrebatos Faith No More disfrazes circo berrando aqui hai espectáculo pero é cousa séria ou todo brincadeira? puro rock impuro

Como um Tom Waits com 60 anos menos sabendo o mesmo que agora

Baqueteando o ombreiro dum espectador guindando-se serpes de plástico entre eles sempre dando chimpos
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Paixom e anarquia para menos de cem persoas e por 7 €.

Man Man, por dizi-lo em 2 palavras: bu-ah! Se tocam perto da tua cidade, vai-nos ver; nom importa o preço da entrada: é barata. O concerto do ano, polo de agora.

E que estes tios com 3 discos às costas (o primeiro no 2004) nos passaram despercibidos… claro que é certo que os seus discos nom oferecem nem a metade do que dam ao vivo, pero aínda assi. Enfim, o mundo adoita ser mais rico do que esperamos. Afortunadamente.
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P.S. Ao rematar comprei o seu primeiro disco e umha bolsa com o seu logo, felicitei ao cantante e saquei-me umha foto com el... em ocasiões assi hai que cumprir com todo o ritual!
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Baby Dee,bom e breve

Íntimo e breve, assi foi o concerto de Baby Dee. Apenas 50 persoas entre o público e 2 no escenário, a própia Dee e um violinista (bom, nom era um violino, era este instrumento que é parecido, algo mais grande pero sem chegar a contrabaixo... viola quiçais?).

Já desde a entrada, o mais anti-star que se poida imaginar (de vagar, coxeando, apoiada num caxato) ficou claro que o direto de Baby Dee é algo especial. Foi sentar ao piano e começar a cantar e a tocar, e a impressom confirmou-se. É umha artista à que os discos nom lhe fam justiça, hai que ve-la ao vivo. Ver como interpreta (porque é algo mais que cantar), percibir as variações da sua voz, os gestos, as caras. Ou os seus comentários, como aquel no que contou a sua forma de romper o gelo quando entra num bar desconhecido: "A quem lha tenho que chupar para que me invite a umha copa?". Hai que dizer que era apenas umha brincadeira para pedir umha copa de whiskey com gelo, que enseguida lhe trouxérom.
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Só numha ocasiom abandonou o piano para dirigir-se, lenta e trabalhosamente, à harpa. Sentou-se a carom nela, tirou as botas (o que lhe deu pé a avergonhar-se publicamente de ter buratos nas médias) e interpretou umha única cançom, tras a qual veu umha fatigosa volta ao piano. Costa-lhe caminhar, isso está claro, e polo visto tamém sentar-se à harpa, pois nom quixo tocar mais canções com ela devido a que lhe doíam as costas.

E assi foi regalando-nos os temas do seu último disco, Safe inside the day (gustou-me especialmente o primeiro), para acabar com um único bis. Duraçom total: apenas umha hora. O dito, o bom, se breve, duas vezes bom, e por isso esta crónica remata aqui ;-)
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(Nom sei se noutra ocasiom, quiçais estando em melhor forma, fará um concerto mais longo. Em qualquer caso, se és dos que che parece que em disco está bem, mas nom é para tanto, recomendo que lhe deas a oportunidade de ve-la ao vivo. É outra cousa)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Evangelicals querem ser the next big thing...


... e mesmo pode que o consigam!


29 de maio de 2008, umha desconhecida banda americana recala no Vera. Nom é umha data que tenha marcada no calendário, mas visito o seu MySpace por curiosidade e as vibrações som boas. Dado que o concerto só vale 5 euros, decido dar-lhes umha oportunidade. Nom som o único, pero quase: apenas 40 persoas acudimos ali. E nom saímos decepcionados.

Os Evangelicals som de Norman, Oklahoma, como os Flaming Lips, pero tenhem idade para ser os seus filhos. Ambas cousas -a procedência e a idade- ficam patentes vendo-os ao vivo. A semelhança com os Lips é bastante clara, se bem nom é a maior influência: outros grupos como Animal Collective, sobretodo, e puntualmente a épica duns Arcade Fire, deixárom tanta ou mais pegada nestes rapazes. Porque isso é o que som, apenas uns rapazinhos -quase diria "niñatos"- jogando a ter umha banda e fazendo méritos para saír nas portadas das revistas guapas. Algo que queda claro ao ver a sua atitude no concerto: moita pose e olhadas ao fotógrafo para que os saque bem. Pero, olho! Isto nom é necesariamente malo, nem moito menos. Bem-vidas sejam as bandas com ambiçom e ganas de comer-se o mundo... especialmente se tenhem boas razões para elo.

E Evangelicals tenhem essas boas razões: tenhem o som apropiado, boas canções, atitude e juventude. Um cantante com vocaçom de estrela (e bastante pluma), que nom deixa que decaia a cousa em nengum momento, e detalhes curiosos como as fotos de tias ligeiras de roupa que adornam a bateria e o teclado -ao mais puro estilo talher mecánico, mágoa que as fotos saiam movidas e nom se distinga. Umha curiosidade: dá-me a sensaçom de que estes escoitárom muito heavy. Ou isso parece se nos fiamos de certos arrebatos que lhes dam em direto, ou nas pintas do teclista.


Os arrebatos metaleiros quedam bem ao vivo, mas no disco nom hai nem rastro deles. Refiro-me ao CD "The Evening Descends", umha pequena marabilha (merquei-no no mesmo concerto, ademais dum poster... que nom me regalárom... ratas) que pode ser um dos discos do 2008. Só hai que escoitar jóias como "Skeleton Man", "Midnight Vignette", "Party Crashin'", etc. Tenhem um anterior, "So Gone" (2006), que nom escoitei, pero que tenho entendido nom chega ao nível de "The Evening Descends".

Enfim, avisados quedades: Evangelicals MOLAM. Aproveitade para ve-los ou escoitá-los agora, e quando sejam famosos poderedes presumir disso.