domingo, 23 de agosto de 2009

Empanada


Artigo de Sara Barreiro publicado no Xornal.

Pepe, o da curva de Lamela, convidou a fillos, netos e bisnetos á festa da Empanada de Bandeira. Nunha casa na que normalmente viven Pepe, Boby e Panchito (puros palleiros), galiñas e coellos, xuntáronse arredor de quince persoas e trinta zapatos. Os nenos e os móbiles berraban demasiado para o que el estaba acostumado, e por iso, cada mañá durante a semana que tivo invitados, Pepe e os cans espertaban cediño e ían ver o mencer mentres a familia durmía e compensaba as horas de festa. Alí comenzou a pensar como eran as festas de Bandeira cando el era neno. Daquela non había nin mesas, nin pregóns, nin concursos, nin empanada. O momento grande era a saída da misa –cando todos os homes e Pepe ían tomar un viño–, e o máis interesante era o baile que pegaban antes de volver a casa. Sentiu de golpe a estraña obriga de ter morriña daquelas épocas de tranquilidade, como fan os vellos das películas cando os modernos tempos chegan ás súas vidas. Pero mirou cara a súa casa chea de vida e para a súa mesa chea da mellor empanada da festa e sorriu, feliz.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rio Frai Bermuz


Percorrido em kayak polo rio Frai Bermuz, em plenas fragas do Eume.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bruce Springsteen, o puto chefe (Monte do Gozo, Santiago DC, 2 de agosto)



Os concertos de Bruce Springsteen não são como os demais. Não é que sejam necessariamente melhores, mas si diferentes. Por um factor fundamental: aquel a quem chamam The Boss é o líder duma religião moi estendida, com fregueses de aparentemente todas as idades. Em nengum outro concerto de rock se atopará tanta e tão variada gente: nen*s de primária, adolescentes, trintaneir*s, madurinh*s, jubiletas... gente que só escoita os 40 principais a carom de frikis de Rádio 3... enfim, amplo e variopinto é o Povo de Bruce!

Hai motivos para esta estranha unanimidade, porque o Chefe não aforra um peso de esforço para ter contentos a tod*s, e sabe bem como fazê-lo. Musicalmente, é difícil atopar uma banda mais completa e melhor engraxada que a E Street Band. Das guitarras à percusão, passando polos ventos, os teclados ou algum violinazo ocasional, todo está no seu sítio, roçando a perfeição. Repartindo rockanroll sem descanso, com experiência, habilidade e paixão a partes iguais, durante 3 horas inteiras, 3!! Onde se viu tal cousa? Os únicos que se lhe poderiam comparar e sair vitoriosos seriam Neil Young e os Crazy Horse... e para de contar.

Este alto nível não só se atinge no aspecto musical, senão também nos recursos que se ponhem em escena: neste caso, 2 pantalhas gigantes a cada lado, e uma por detrás dos músicos, que amosárom alternativamente images de alta qualidade do concerto e de paisages perfectamente escolhidos, e que fôrom um autêntico puntazo. Mas vaiamos já ao que importa...

Proseguindo o costume desta gira de principiar cada show com um tema do folklore local, a actuação abriu-se com Nils Lofgren tocando "A rianjeira" no acordião. A seguir, "Badlands", e Bruce saindo já a por todas, misturando-se entre a gente, repartindo abraços e sem aforrar em gestos demagógicos -algo de mais para o meu gosto, pois nem sequera houvera quecemento... e havia cousas importantes que atender, pois o som não acabava de ser perfecto. Afortunadamente, foi-se ajustando e no resto do concerto não houvo queixa. Seguiu com "Out in the streets"; uma "Hungry Heart" na que Bruce cedeu o micro ao público para que cantara el só a primeira estrofa; e, resgatada do seu primeiro disco, "Spirit in the night". Caeu, por suposto, o "Working on a dream", assi como "Adam raised a Cain"; "Murder Inc"; uma versão mais rockeira de "Johnny 99", quase mais parecida à que realizara Johnny Cash que à original de Nebraska; "Darkness on the edge of town"...

Os fãs das primeiras filas levaram cartazes com petições de canções, que eram recolhidos incansavelmente polo próprio Bruce... e moitas delas eram satisfeitas, apesar de haver alguma curiosa: "Burning Love" de Elvis Presley; "Born to be wild" de Steppenwolf; ou (já nos bises) "Rockin' all over the world" de Status Quo... acompanhadas por clássicos como "Backstreets", "Born to run", ou, para fechar a primeira parte do concerto, "No surrender".

Para os bises ficárom canções como "Dancing in the dark", "Glory Days", "Rockin' all over the world" (uma versão de Status Quo que fora também petição popular) e, para rematar (supostamente) "Twist & Shout" -mesturado um chisquinho com "La Bamba". O concerto deveria finalizar então, mas, despois dum numerinho de desfalecemento e reanimação (com mascarinha de oxígeno incluída), ainda soou o "Born in the USA" como despedida final.

Em total, 30 temas em 3 horas de extática celebraçaõ. Faltárom 3 clássicos como "Thunder Road", "The River" ou a minha favorita, "Atlantic City"; que um artista poda prescindir de semelhante trio de ases e ainda assi dar um concertazo di moito ao seu favor. O dito, o puto amo, senhor*s.

E, si, ate agora não dixem nada da penosa organização... porque este é um blogue que pretende fugir de amarguras e maus rolhos. Só dizer que isso foi um caos, que fijo que gente com entrada ficara fora despois de horas de espera e de ter pagado 74 €, e que a nós mesmos quase nos fode o evento... de não ser por uma boa dose de sorte em parte por ter atopado, de milagre, a Fernando e companhia (graças Enrique por avistar-nos) que tinham pilhado um sítio com um mínimo de visibilidade. Aos responsáveis desse desastre desejo-lhes de todo coração uma pronta morte (sem dor, não vou ser sádico ainda que mo pide o corpo). O mundo estará melhor sem semelhantes inúteis.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O neno imigrante que dava de comer aos passaros

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Durante a primeira metade do século XX, milhões de imigrantes fôrom retidos na ilha de Ellis para ser inspeccionados antes de se lhes permitir a entrada nos USA. Uma história de sobras conhecida por todos (ainda que só seja por ter aparecido n'o Padrinho II). À maioria deles permitia-se-lhes entrar despois duns dias, mas a incerteza e os tests (médicos, psicológicos, legais) a que eram sometidos fazia da espera um transe angustioso. Aproveitei a minha recente estadia em Novánglia para visitar a ilha, onde lim o testemunho de Oreste Teglia, quem estivo retido em Ellis em 1916, com 13 anos. Lembrava-o assim em 1985:

"Davam-nos flocos de aveia para almorçar, e eu não sabia o que eram, levavam açúcar moreno, já sabes. Eu não me afazia a comé-los. Assim que os deixava na janela, para que os comeram os passaros."



domingo, 21 de junho de 2009

TV On The Radio (HOB, Boston, 4 de junho)

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Regresso à House Of Blues, esta volta (si!) com a cámara de fotos disposta para inmortalizar o concerto de TV On The Radio. Abriam os seus vezinhos de Brooklyn, os Dirty Projectors, de quem não ouvira mais que alguns mp3 no seu myspace. De primeiras pareceram-me interessantes, uma banda ajeitada para telonear este concerto, por frescos e -até certo ponto- originais (esses toques africanos...). Mas ao vivo não me parecérom nada do outro mundo, e ao rematar a sua actuação a minha sensação era que nem fu nem fa.
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Todinho o contrário que TV On The Radio, que levárom o seu direto a cotas de intensidade que nunca percibira nos seus discos. Começárom ao seu ritmo, sabedores de que o encontro durava 90 minutos e não podiam sair a matar desde o princípio; mas ainda assi ficou claro desde a primeira canção que jogavam numa categoria moi distinta à dos Dirty Projectors: a avalancha sónica que se nos vinha em cima era de campionato. Para quando atacárom o tema de apertura de Dear Science (2008), "Halfway Home" (pa-pa-ra-pa-pa-pa-pa-ra-pa-pa), o concerto estourou definitivamente. Seguirom com uma visita ao anterior Return to cookie mountain (2006), esse tralhazo que é "Wolf like me", talvez um dos melhores singles de rock da década. Despois, como não sempre se pode ir cara arribe, deixárom-nos respirar um momento com o soul de "Crying"...

Adebimpe

A banda funcionava como um motor perfectamente engraxado; seria difícil destacar a algum membro, se não fora porque é impossível não fixar-se em Tunde Adebimpe, o cantante-teclista: como vocalista é moi bom, mas de presença vai sobrado. Que forma de mover-se e de mover-nos a todos! Mas claro, estão também às guitarras Sitek e de Kyp Malone (o inconfundível barbudo com quem, casualmente, me cruzara umas semanas antes polas ruas de Brooklyn); e que dizer da seção rítmica...

Bises junto a Dirty Projectors

Soárom também "DLZ" ou "Dirty Whirl", e não se esquecérom de visitar o Desperate youth, blood thirsty babes (2004) com "Staring at the sun". E completárom um concerto sobresaínte deixando para os bises uma das minhas favoritas, a fermosa "Family Tree" (We're hanging in the shadow of your family tree / Your haunted heart and me / Brought down by an old idea whose time has come / And in the shadow of the gallows of your family tree / There's a hundred hearts soar free / Pumping blood to the roots of evil to keep them young). Insisto: tremendos.

sábado, 13 de junho de 2009

Matthew Day Jackson: The Lower 48

Na série "The Lower 48", Matthew Day Jackson visitou 48 estados fotografiando rochas antropomórficas, com um resultado francamente arvorícola (lembra por vezes a Swamp Thing). O resto da sua obra tem pouco a ver por isto, mas polo que pudem ver na expo do MIT List Visual Arts Center, é igualmente interessante. Para comprová-lo, recomendo visitar a primeira ligação, à galeria Saatchi.





sábado, 6 de junho de 2009

Baleas

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No santuário de Stellwagen, a escasas milhas da costa de Novánglia. Não hai mais que colher o barco e dar um curto passeo...
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... e não tardamos em atopar uma parelha: uma nai com a sua cria.

São baleas jubarte (Megaptera novaeangliae), "humpback whales" em novánglio, "ballenas jorobadas" em castelão.


Por ali resopla!
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Marchando um saúdo para os mamíferos terrestres:


Dias despois chegariamos a albiscar mais baleas desde a própria costa, numa praia de Cape Cod. Sei que é um tópico, mas acho que as fotos não lhes fam justiça. Ver estes seres tão grandes, calmos, destemidos, passando duma banda do barco a outra... curiosa existência a dos nossos irmãos marinhos

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Animal Collective (House of Blues, 14/05)

Um lenço com o patrom psiquedélico da portada do Merriweather Post Pavillion (2009) pendura ao fondo. Os teclados e maquinilhos vários estão cubertos por telas brancas sobre as que se projectarão formas e cores. Um gigantesco globo branco colocado com a mesma finalidade levita sobre o escenário. Todo preparado para uma das mais prometedoras experiências sensoriais que podemos pedir à música actual: um concerto de Animal Collective.

De esquerda a direita, colocam-se Geologist, Avey Tare e Panda Bear (Deakin segue de sabático), e começam a fuchicar nos cacharros. Já com o segundo tema, “Summer Clothes”, chega a primeira apoteose. O ritmo irresistível desta canção, a minha favorita do último disco, consegue pôr a toda a sala a bailar. E é que Animal Collective, em certa medida, estão a fazer música de baile, ou polo menos um dance pop genuinamente do s. XXI. E ao público encanta-lhe... é curioso como uma música tão original, persoal e intransferível pode conectar a este nível com tanta gente. Porque Animal Collective são verdadeiramente únicos, e ainda que quando os escoito não podo deixar de pensar “mas que doado... como ninguém provara a fazer isto antes?”, quando para a música penso “mmm... mas como era que faziam eles?”. E o que é que fam? Psiquedélia? Alt-folk? Electrónica? Post pop? Dança tribal? Nada disso, por suposto. Então... que? Melhor não pensá-lo muito e limitar-se a escoitar.

Outro momento cume da noite veu com “Peacebone”, o single de Strawberry Jam (2007). O grupo soubo espaciar moi bem alguns longos delírios instrumentais entre os temas de feitura mais pop, com o que o concerto fluiu sem costuras entre os estribilhos com resonâncias Beach Boys e os arrebatos de puro e gozoso ruído. A derradeira catarse tarareável chegou com “Brotherspost”, já nos (generosos) bises. Grande concerto, si senhor; quem queira saber mais ou menos como foi, pode escoitar aqui em NPR o podcast do show que dérom uns dias antes em Wahington DC. Eu ainda não o fixem, mas acho que foi bastante parecido.

P.S. 1. O teloneiro foi Grouper, um rolho moi, moi atmosférico, uma espécie de My Bloody Valentine em tranqui, sem ruido nem melodias. Si, já sei... é como dizer “nada”. Talvez por isso os únicos aplausos que escoitou foi quando se pirou. Não lamento ter chegado tarde à sua parte.

P.S. 2. O concerto foi na House Of Blues, um sítio bem curioso. Realmente são uma franquícia, tenhem várias salas similares por toda a geografia USA. Vão de autênticos (seica gardam uma caixa com lama do Mississippi baixo o escenário), mas para o meu gusto vai-se-lhes a pinça com caralhadas. Tenhem espaços para cear (bem caro, por suposto), e mesmo... para rezar! Mas logo não deixam entrar cámaras de fotos, nazis do caralho (Robert Johnson havia-os pôr de verão, se se erguesse da tumba). Eu de pardilho fixem caso à norma e não a levei, mas já vim que não é difícil meter uma, assi que para a próxima vez (que será em junho para TV On The Radio) haverá fotos próprias, se todo vai bem.


sábado, 16 de maio de 2009

Ninguém sabe como pode rematar

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Artigo escrito por María Cedrón, publicado o 13 de janeiro do 2009. Foto de Óscar París.

«Nadie sabe dónde puede acabar. Mira las Torres Gemelas... ¡Qué altas eran! Y mira cómo cayeron. Bastaron solo unos segundos... Escupí para arriba y me cayó encima». Ramón (nome falso porque não quer que os seus filhos se enterem de que vive na rua) fala com conhecimento. Hai quatro decênios, quando colheu por primeira vez o volante de um camião, nunca teria pensado que acabaria vivendo, com 66 anos, baixo a rampa de subida para o portal dum edifício do corunhês bairro de Elviña.

Aí se instalou hai aproximadamente dous meses este burgalês junto com a sua companheira, uma corunhesa de 48 anos com a qual convive hai mais de cinco. Na rua levam já três anos. Mas o céu é o único teito que podem pagar com uma única pensão de aposentadoria, a dum camioneiro retirado. «No te voy a decir cuánto cobro, pero es pequeña, muy pequeña. No llega para dos, pero no voy a pedir. Nunca pensé que pudiéramos acabar aquí», comenta. A sua companheira não recebe nada, nem a Renda de Integração Social da Galícia (Risga), uma ajuda que lhe denegárom duas vezes. «Con esa ayuda podríamos pagar una habitación y luego con lo que gano tendríamos para comer y los pequeños vicios», explica.

Ramón repassa a sua vida, enquanto descansa sentado sobre uma colcha que cobre uns cartões que o isolam do chão. Como apoio utiliza uma maleta negra, com rodas, que atopou num contêiner. Lembra os seus anos na estrada. «Conozco toda Europa, y de España y Galicia, rincón por rincón».

Antes de viver em Elviña instalaram-se numa rua cega que hai junto a estação do trem. «Teníamos todo muy curioso allí, incluso teníamos unos plásticos que cortaban el aire, pero Dolores [também nome fictício] estuvo enferma, en el hospital, y al volver alguien había quemado aquel rincón. Nos quedamos con lo puesto. Por eso tuvimos que mudarnos aquí», comenta.

Vida cotidiana

O pequeno espaço que ocupárom está mui limpo. «No queremos molestar a nadie», dim. Numa garrafa tenhem o sabão para lavar a louça, uma pequena lata fai as vezes de cinzeiro e noutra esquina gardam lixívia para desinfetar. Como vassoira utilizam uma ponla. Para lavar-se utilizam o serviço do albergue ou, às vezes, os deixam assear-se numa gasolineira que hai perto. Num lateral do seu pequeno lar, perfeitamente dobradas, gardam quatro mantas. São o único escudo que tenhem estes dias contra o frio. «A ella -pola sua mulher- las bajas temperaturas le están afectando bastante, aunque los vecinos se preocupan mucho y nos preguntan: ¿queréis alguna más? Incluso hay alguno que pasa por la mañana y nos da algo para que vayamos a tomar un café caliente. En Navidad nos trajeron de todo», comentam.

Agora agardam ajuda. Onte, explicam, um jovem da cruz Vermelha foi a vê-los. «Está viendo cómo tramitar la Risga y buscando un lugar en el que podamos vivir». É a sua esperança.

sábado, 9 de maio de 2009

Akron/Family, 5 de maio de 2009



O último disco de Akron/Family, "Set 'em wild, set 'em free", saiu à venda hai tão só 4 dias. Casualidades da vida, nessa mesma data vinham a Cambridge para tocar no Middle East, local do que se falou nestas páginas hai bem pouco (ainda que neste caso foi no escenário Downstairs, mais grande que o Upstairs da vez anterior). 


Graças ao pirateo internauta puidera escoitar o disco uns dias antes da sua publicação oficial, e a primeira impressão fora mui favorável. Até agora só conhecia deles o anterior "Love is simple" (2007), um bom disco que me recomendara especialmente Alberto, e este não me parece inferior. Seguem a ser um grupo especial, uma espécie de Incredible String Band do século XXI, devalando entre o pastorismo neohippie, a experimentação friki duns Animal Collective e alguns arrebatos de intensidade talvez devedores do post-rock. E, mais importante, seguem a fazer algumas fermosas canções, como por exemplo a quase country "Set 'em free" (Set 'em wild, set 'em wild, set 'em free...), a séria candidata a hino massivo -- num mundo melhor, claro -- "They will appear" (woh-oh-oh-ohhh!) ou a balada folk "The alps and their orange evergreen". Em suma, um grande disco cargado de boas razões para i-los ver ao vivo.

Especialmente porque, em opinião generalizada, é em direto onde Akron/Family oferecem o melhor de si mesmos. Não é uma dessas bandas que simplemente tocam uma seleção das suas canções, senão que se esforçam em criar um show com introdução, desenvolvimento, desenlace e coda. E fazendo um pouco o tolo polo meio... vamos, como deve ser. A actuação começa com o escenário baleiro e uma cinta que reproduze o som de uma fogueira de campamento, e em consonância saem os três membros da banda, cintas brancas na cabeça, para cantar bem baixinho com o único acompanhamento da guitarra. A partir de aí vai subindo a intensidade, com um repertório centrado sobre todo nos dous últimos discos (mira que bem, os que conheço). É-lhes doado obter a complicidade do público, já predisposto a corear "Love, love, love" e outras peças emblemáticas. Por vezes diria que lhes perde a tendência a alongar de mais as partes instrumentais, mas também é certo que não estava eu mui de humor para essas cousas. Já cara o final, semelham voltar-se tolos com a frenética "MBF" (mas quando a voltei escoitar na casa descubrim que todos os berros que soltárom eram exactamente iguais aos gravados no disco). E como despedida, outra vez a juntar as cabeças e a cantar como bós Boy Scouts.

A sério, uns Grandes da Americana. Nº 1 da semana em Arbolícia.


P.S. Antes dos Akron/Family tivem que papar 3 teloneiros, que bem me podia ter aforrado. Fôrom We are the arm (horteras sem graça, uns rapazes que querem voltar aos '80 que nunca vivérom; sem o talento da Fundación Tony Manero, ponho por caso), Faces on film (algo mais salváveis, estes polo menos aspiram a ser Band of Horses) e Brad Barr (um tio só com a sua guitarra, tocando blues, folk e o que caera, que se foi sorprendido de levar tantos aplausos -eu também).